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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Por um momento

Por um momento, o amor é pleno
E tudo em mim é silêncio
Tudo em volta é sereno
- por um momento - breve nevoeiro
Tudo em nós faz sentido
Não há medos, meio-termos
Mas é um momento apenas
Um instante, um delírio
Por um momento, você me olha
Você me alcança
Por um momento, esta dança
No pôr do sol da esperança
E este beijo
Entre as lágrimas da chuva
É completo
E tudo em paz é veneno
Tudo ardendo é silêncio
Todo segredo é sarcasmo
Todo amor é pequeno
Por um momento, você me olha
Por dentro.

sábado, 11 de maio de 2013

Um pensamento

Um pensamento voando ao vento sem direção
sem temor, nem tormento, sem tempo, nem chão
um amor, um alento pro peito ardendo em dor
um momento ao meio, recheio de sonho
voa ao ar
voa o mar
voa as primaveras
libertà!
no caminho entre a mente, o sempre e o amanhã
o semblante, a semente, o horizonte em sombra
e os elos de gente, de coisa e de sentimento
que navegam por entre segredos que vão
voam mais
voam quais
voam as quimeras
liberdade.

Lári Germano

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Eu pensei que o amor era tudo.


Eu achei que amor era andar junto.
Dei a mão e fui.
Mas depois de um tempo doía
Entre os dedos e nas juntas,
Saltava uma veia na testa
E entupia uma artéria.
Eu pensava que o amor era tudo
Até que não tinha mais nada.
A dispensa estava vazia
A casa abandonada.
A poeira, os livros cobria,
E o telefone vinha mudo.
Eu considerei o amor
Um ente superior,
Uma membrana bem fina,
Uma criança tão frágil.
Eu tratei do amor
Como quem rega uma planta
Todo dia, sem cessar,
Até que a terra encharca.
Mas o amor não era nada
Daquilo que eu cogitara.
Era só um dia de sonho,
Uma cor suave,
Uma risada.
O amor não era de levar,
Sequer deter entre os dedos,
Então larguei mão e o deixei
Solto, ao sabor do vento.
E pra trás também ficou
O que era dor,
O que era medo.
E só então descobri:
Que o amor não era nada.
Só uma nuvem branca
Que vai. Que volta.
Que passa.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

POESIA 35


Uma saudade poente entre os móveis:
Por baixo da cama, entre parênteses, nos sótãos d’alma.
Intermitente, o tempo outra vez demora
Quase um mês numa hora. Falta a calma.
Reanuncia-se a aurora no calendário
É aniversário, tudo se renova.
Gosto destes dias azuis, que às vezes chovem.
Em outubro, a primavera se instala.
É o tempo mais bonito do zodíaco!
É chegado meu exclusivo e irrenunciável reveillon.
Erro as teclas, o sono me toma. O relógio é implacável.
O que faz o amor são pequenos momentos. Convívio, cimento.
Faltam-me ouvidos e olhos
De se ver e de se ouvir. Estou frangalhos.
Sopro as velas com coragem, segue o barco.
A nau é frágil, apesar do esplendor,
E o casco, de matéria delicada.
Abaixa a proa, a maré que alterna,
Ágil como as ondas, flutua a embarcação,
Inunda-se a cisterna. Investigo.
Pois não me apraz o amor de mal contido!
Pretiro o integral a um bordado de fuxico.
Prefiro água e sal ao mel. Lágrimas fiéis ao mal
De doçura irresistível.
Caminho pela madrugada. O escuro me agrada.
Os vãos são bonitos e os pedaços. O vento dita.
Outubro se espalha: agradável e pungente.
Mais uma primavera, mais um dormente no trilho.
Segue a estrada, o trem apita,
Agora são trinta e cinco.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

AMOR DE FIM DE MUNDO


Vou amar você como quem não quer nada
E viver essas noites à toa
Curtir as madrugadas de boa
E, sem pressa, em insones horas
Deitar meu rosto na sua face
Ignorando a alvorada e o dilema
De amar para sempre em instantes
Medidos de iminente ausência

Vou amar você à sombra
Como quem não tem o que fazer
E comer-lhe a fala e o hálito
Embebidos em beijos
Desconstruir seu argumento
Soprando-lhe o ar de suas próprias narinas
Desfiar fio por fio o raciocínio
Que é a rede onde deita
O tormento da sua partida

O amor que tem pra mim
É bonito demais de se ouvir
E cândido e tenro e triste
O amor que me tem estende-se
Como uma música de Jorge Ben
E eu vejo seus rodopios e medos e saltos
Num balé clássico-dramático
Imprevisível

Vou amar você assim
Como quem dança sobre o abismo
Num dia de tempestade e ventos que assoviam
E a cada passo, negociar com a morte
Mais um pouco de romance
Mais do inesquecível

Vou amar você como quem sabe a data
Em que o mundo encerra o expediente
E deixar que tudo aconteça, ou nada
Até que nos vença o desfecho, o destino

Um dom é desafiar o fim
E agarrar os minutos contados
O sonho impossível

domingo, 3 de julho de 2011

PEQUENA POESIA


azul pacífico
paz nas cortinas
ondas pela casa
o mar está suspenso
no ar, denso
flutua-se como n’água
sobre prancha de isopor
tudo que eu mais quero da vida
risada e amor
mais nada

terça-feira, 28 de junho de 2011

Apelo


Meu coração não pára de bater, não sei o que acontece. Isso me aflige, esse dom de prever, de sentir. A permeabilidade que alguns seres me faz experimentar. Gostaria de saber exatamente o que é, mas não sei. Só sei que posso sentir quando há angústia, quando há embate, luta. Quando há um conflito mental e um pensamento fixo em mim. Estou assim, obcecada, apaixonada. Possuída? Que loucura, essa confusão corpórea! Às vezes, sinto-lhe tão perto, mais próximo que se em carne viva estivesse. E quando me deixa, me deixa também esta agonia. Mas o que fica é ainda pior: a sua partida, a distância. Uma barreira entre nossas almas, o dia todo vizinhas. E fico triste, preciso chorar, pra esvaziar o que ficou sem saída, preso nesta vasilha em que me transformei desde aquele olhar. Gostaria de esquecê-lo. Gostaria? Não tenho forças, sinto-me rendida a forças muito maiores que as minhas. De repente, o mundo me premia com paz e novos ares, novas pessoas, cenas doces e doces palavras. Mas, quando a rotina torna, tornam estas batidas incessantes e fico à beira do abismo, a um passo de enlouquecer. Já nem sei mais o que é saudade, vivo nela o tempo todo e ela está me engolindo. E por mais que eu pense e repense, ainda não posso concluir nada ao contrário do início. Se o amor arrebatou meu coração desta maneira insana, não vou remar contra. Não que eu não queira! Quando sinto que nada disso é real, mas pura imaginação e viagem minha, tento, tento e tento, com o mais contundente que há em mim, esquecê-lo. Mas a luta se estende por tanto tempo que me vence. Canso-me da luta insistente e do pensamento que não cessa e me ajoelho ao chão, braços estendidos pro amor, como diria Djavan: o Samurai. Que outro nome pode ter a alegria que se sente simplesmente por que alguém existe, senão amor? Contudo, preciso esquecê-lo, portanto, esqueça-me! Não conseguirei acabar com isso se você continuar a pensar em mim noite e dia. Posso sentir! Entre mim e ti, desde que o sentimento se instalou sem permissão, não há divisa. Mas se não quiser esquecer-me, então venha. Renda-se comigo e viva o que estava escrito que seria o nosso amor. Calico skies. Amo demais odiar amá-lo assim. Por quê?

terça-feira, 7 de junho de 2011

ESTE É O LUGAR QUE TE CONCEDO


Este é o lugar que te concedo
Veja:
Tem músicas tantas
E mil pensamentos
Cores quentes
Emolientes
A nos enlaçar
Abraça-me por dentro agora
Bem no centro
Onde não há dor
Nem impedimento
É só amor
Doçura
Sentimento
Toca-me com a ponta dos dedos
Senão afunda
A textura é fofa e se move
Qual nuvem no firmamento
Aprecia com a língua
Suavemente
Este é o lugar
Fremente e singular
Que te concedo

quinta-feira, 19 de maio de 2011

E SE PASSAR?


TUDO VAI PASSAR
O CALOR NAS FACES RÓSEAS
O AMOR DE POUCAS HORAS
O PENSAMENTO FIXO EM VOCÊ
TUDO VAI PASSAR
PODE NÃO SER AGORA
E QUE AINDA HAJA UM POUCO
DESTE TORMENTO EM MEU SER
(OU MUITO, NÃO SEI)
TUDO VAI PASSAR
E TALVEZ, QUANDO ACABAR
EU AINDA NÃO SAIBA AO CERTO
SE FOI SORTE TE QUERER
OU AZAR

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sentimento imenso


Quero sua companhia,
Saber como foi ontem,
Quando chegou, se dormiu bem
E se, quando acordou,
Sentiu-me por perto -
Porque por perto, eu estava.
Quero saber o que você gosta de comer
E de que forma e hora.
Quero saber se você dorme
De boca aberta ou fechada.
Essa fome de você só aumenta
E eu não me cansaria
Nem se você falasse comigo todo o dia.
Só não sei se o corpo agüenta
Paixão assim tão intensa,
Estou em brasas!
Meu corpo inteiro movimenta e soa
Não sei por onde escoa
Este sentimento.
E, se não sai de mim
Onde, então, estarei eu, tão pequena
Diante dessa emoção imensa?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Brincadeira de amor


Uma vez eu quis amar-te, mas não pude
Outra vez, ignorar-te
E, outra vez, não pude
Teve uma vez, ainda, que desejei
Não tivesses cruzado comigo
Mas esbarraste em mim, foi impossível
E , de repente, aconteceu
Que uma vez desejei que fosses outro
Ou tivesses outra condição
Pra que eu não me sentisse deste jeito
Inteiramente na tua mão
Mas quem disse que minha vontade
Manda alguma coisa neste mundo cão
Nem a minha, nem a de Drummond
Nem a de Teresa, nem a de João
Ou a de Raimundo, ou a de qualquer um
Ow quadrilha imprevisível essa coisa de amor!

quarta-feira, 9 de março de 2011

O amor não tem palavras


Dizer do amor
É como tomar dele a magia
Um poder que nos rende
Domina
É tornar humano
Uma essência divina
Então tenho medo de dizer
E tornar imperfeito
O que é originalmente puro
Sem defeito, sem ranhura
Há uma coisa no ar
Que não há palavra que decifre
Melhor inebriar-me dela
E a contemplar muda
Reverenciá-la em êxtase
Enquanto ainda dura

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O amor pode ter muitos desenhos



O amor pode ter muitos desenhos.
Nunca podemos saber qual será.
Meu desejo era que a emoção do começo
fosse o impulso motriz.
Minha idéia era pegar a emoção e ir.
Com a força do início,
com a explosão de sentidos,
deixar-se levar e com a paixão
começar o amor que viria.
Mas o desenho do amor nem sempre é assim.
O amor pode ter muitos desenhos
e nunca poderíamos saber
que desenho tomaria o nosso amor.
E mesmo que ele não se erga
sobre a arquitetura que pensamos,
se ele de qualquer forma existir,
será o que planejamos,
sem saber que seria.
Mas também pode ser, às vezes,
que a paixão não passe de uma planta,
um planejamento, uma idéia,
que nunca levará cimento e pedra,
apenas areia e idéia.
Mas quem poderá saber
se o desenho que faz a paixão
tornar-se-á a estrutura
de uma história real?
O amor pode ter muitos desenhos
e também pode não existir.
Pode também o desenho
existir sozinho, por si.
O desenho que é só um plano,
um pensamento num papel,
ou num ideal qualquer.
Contudo ainda creio
que a paixão sempre será
o melhor desenho pra começar
um amor entre homem e mulher.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Amor para poeta.



O que é o amor?
É um sentimento apenas?
Uma dor, um lamento,
Uma falta?
Um complemento,
Uma esperança, um sorriso, uma decisão?
É o dedicar-se ao outro?
É escolher alguém para dedicar-se,
Para cultivar o que há de melhor em si mesmo?
Para beijar, abraçar, afagar,
Dengar?
O que é o amor, meu Deus?
Será uma ilusão,
Um desejo inconcretizável,
Uma vã esperança,
De ser cheio?
O que será?
O oculto?
As forças sobrenaturais agindo sobre o homem,
O mistério da vida tomando conta
dos passos do homem?
Uma loucura? Um devaneio?
O que é o amor além de sentimento?
Ou é apenas um pensamento, uma idéia?
Uma vontade, uma obsessão única,
independente do outro?
O que é o amor?

Se existe...

O que é o amor
Senão é a vida mais fácil,
Mais serena, mais simples?

O que é o amor que não abre portas?
Que não acaricia?

...

É a vontade de amar.

E para poeta,
Até vontade de amar,
Já é amor.

sábado, 26 de julho de 2008

Peixinho dourado

É um pássaro sorridente
Um peixinho, um amor...
Veio pras minhas preces atender,
Pra fazer-me feliz
Quando só havia vazio
E dor.
Oh meu peixinho dourado,
Por que não será para sempre
Meu anjo amado?
De carinho, leveza,
Doçurinhas, beleza?
Quanta falta fazem-me seus rasantes
Terá sido, você, só amante
E não verdadeiro amor?....
Peixinho, querido, do mar...
Queria, contigo mergulhar profundo
Surfar todas as ondas do mundo,
Flutuar...
Quanta falta
Fazem-me seus assuntos,
Seu toque persistente,
Seu sorriso, seu olhar...
Dourado é seu brilho, sua luz,
Seu sol, sua cor...
O céu de seus olhos em mim:
Um mar, um amor.

domingo, 9 de março de 2008

Um quadro

O amor é uma coisa que a gente nunca sabe...
O amor é um sorriso,
É um olhar sabido,
É uma inclinação.
O amor é como tarde pegando fogo no horizonte...
O sol laranja pondo-se e opondo-se à escuridão da noite.
O amor é como um quadro triste de águas dormindo e de aves se recolhendo.
Tem a floresta adormecida por cenário e toda a potência de seu sono.
Tem o sol derramado nas árvores, despedida...
Tem o calor da tarde - mas é fim de dia.
Um quadro triste que, enquanto arde, já se dissipa...
Apesar de tanta energia adormecida, potencial...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Guardanapo

O amor pode ser apenas uma ilusão.
É isso que me desespera!
As coisas importantes que se vão como se não tivessem existido.
A falta de coisas permanentes.
Dando a impressão de faltar sentido.
Como se a vida fosse um teatro, de vastos palcos e muitos atores.
Como se a vida não passasse de encenação.
E os amores, de delírios apenas.
De doces suspiros de mais uma ilusão.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Talvez, você não saiba... que, às vezes, o amor...

Você pensa que sabe o que é o amor, mas talvez não saiba...
Talvez não saiba que só o presente é amor.
Que o amor no fundo, é uma ilusão.
Um sentimento que vem de dentro e não, necessariamente, do outro.
Que o amor não é uma certeza, nem uma promessa.
É instável, frágil, um precipício.
De onde a gente se atira, de olhos fechados para o medo e de olhos abertos pra paisagem.
O amor não é uma história, algo remoto...
É algo que se constrói tijolo a tijolo, e que se vive, minuto a minuto.
Mas não tem previsão de tempo, data marcada pra começar ou pra extinguir.
O amor é o viver. É o sentir. Seu tempo é o do coração.
É medido pelo calor que se sente no corpo, pelo frio na espinha, pela sensação de completo, de feliz...
Não é algo concreto, material.
É um estado da alma. Em êxtase.
É ter um motivo pra viver, é um estímulo, um impulso.
Até quando há sofrimento, é assim.
Porque amar é ser humano.
É deixar a platéia, subir no palco, protagonizar as cenas mais lindas...
Viver o próprio filme...
O amor...