segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Preciso escrever todas as coisas
......Ainda que seja impossível
......Ainda que todas as coisas
....Não caibam na minha escrita
..........É pra isso que eu tanto
.......................SINTO.
Não me prender a crença nenhuma
: um modo de não duvidar de nada.
...
Somos pequenos demais
(esse entendimento me basta).

Espécime raro

Um espécime raro
Perfeito
Ereto, calmo
Por dentro
Tem a cabeça coberta por um turbante
(cabeça feita)
E o império da razão sobre o sentimento
...
Vê a vida através dos óculos
(vê melhor)
E o sorriso bem aberto
(às vezes sem som)
Autossuficiente/supra-humano
Não compreende pequenos dilemas
(sofrimentos vãos)
...
Esta noite anda sobre o trilho
Mas não é padrão
Prefere flutuar entre os mundos
Navegar ondas
Invisíveis
Sempre adornado por um lenço
Que o cobre qual manto sagrado
...
Todas as cores caem-lhe bem
(nele, todas as roupas casam
ainda que nenhum tom as aproxime)
Está acima dos demais
É rei esquecido
Em caminhos ordinários
(desapegado das coisas da carne)
...
Faz a viagem
Sem misturar-se
Pra continuar leve
Não impregnar
Nem impregnar-se
Desta vida.
aprecio a leveza
(ela aroma)
...
mas o que me sustenta
não voa
...
tem peso.
às vezes a gente tem medo
(o medo pode ser um presságio
um instinto de proteção)
mas se o abandono te abraça
o medo vira quase nada
: prefere-se qualquer coisa
à escuridão dos tempos
em que nada acontece.
sensação dúbia
: o que sobra
: o que falta
e o quadro inclinado na parede espiando a sua dúvida
sua vontade de surpreender-se com a vida
esta coisa incrível, que bem se sabe
surpreende apenas quando quer.