terça-feira, 29 de setembro de 2009

Miragem de reencontro


Procuro minha cara-metade
Sob o sol que irradia,
Sob a lua que emociona,
Seja tempestade
Ou bonanza.
Numa fantasia, deposito
As expectativas.
Pra não definhar a alegria
A magia do romance,
A miragem da alma reencontrada
De sua outra parte perdida.

Noite acesa

Mesmo que o dia tenha suas fases,
Persiste em mim a alma de menina,
Em sua maior parte.
E, na cidade,
Arde menos o desejo,
À medida que o escuro parte.
Feixes de luz branca invadem
Os cômodos acordados
Sob as lâmpadas e abajures.
E o romance é só um detalhe,
No âmago da claridade.
Pois as sombras dos amantes
Acovardam-se,
Iluminadas no dia que não termina
Nem com a noite,
Nem com a agonia.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A quatro mãos


É engraçado receber a noite,
promete fantasia, descanso, calmaria.
Mas é solitária, é silenciosa, é fria.
A noite que é amiga, que é minha, que é lua...
Que noite boa, seja a sua!

Melhor é receber o dia e suas promessas.
É abrir os olhos, inaugurando o capítulo...
Possibilidades mil com ele amanhecem,
Despertando a esperança.
 Bom dia!

(Dan e Lari)

domingo, 20 de setembro de 2009

SULZER


Se é verdade que o nome colabora na definição da pessoa, então, está esclarecido porque este nome, rejeitado por mim no dia-a-dia, foi-me dado. Meu pai era filho de colonos em uma fazenda de donos suíços. Cresceu em meio a Marias e Josés e, as suíças, donas da fazenda - ou filhas dos donos -, deviam ser típicas suíças: altas, loiras, de nomes estranhos, como o meu: Súlzer.
Então, ao encontrar um recorte de revista com este nome, talvez mergulhado na fantasia que as moças ricas e bonitas despertavam, meu pai guardou o recorte com o nome para uma possível filha, que, à época, ele ainda não sabia: seria eu.
O nome na verdade, é um sobrenome. Mas, como se sabe, os sobrenomes, quando se referem à autoria, vêm na frente, separados por vírgula. Mas ele não atentou para isso: e assim foi que um sobrenome tornou-se meu primeiro nome. E um sobrenome suíço, muito forte, com aparência de judaico, no qual teorizo um fonema semelhante à pronúncia de pizza.
E aqui estou, tal qual as suiças: alta, relativamente loira, e com corpo de européia. Nada de ancas fartas como as brasileiras, ou cinturinha fina, (infelizmente). Meu número no exterior seria 12. Aqui, não tenho número definido, nenhuma roupa brasileira é pensada pra um corpo como o meu. Sou atípica. Da aparência ao que não aparece. E também de temperamento quase europeu. Mais introvertida. E de piadas só com verdadeiros amigos.
Sulzer. É também o nome de um asteróide que, por incrível coincidência, foi descoberto um dia depois do meu aniversário: 12 de outubro, só que em 1990. Como ele, sou meio espacial também. Quem me conhece sabe de quantas viagens siderais sou capaz!
SULZER é ainda o nome de um filósofo. E esta sim é uma influência que me agrada, pois, se um nome atrai para a pessoa uma característica sobressalente, então, JOHANN GEORG SULZER, influenciou-me grandemente. Sou filósofa. Não de profissão, mas por hobby. Adoro pensar a vida, debater a vida, esmiuçar problemas. E, principalmente, ter muito tempo pra nada fazer e poder dar ao pensamento tempo para elaborar suas teorias.
E JOHANN GEORG SULZER teorizou muita coisa e foi um filósofo brilhante! Um filósofo alemão pra uma brasileira de estrutura alemã... e que, quando criança, sonhava com telhados de casas alemãs, como as de Blumenau.

 

Sei que não chego nem aos pés de Johann. Mas tenho o seu sobrenome como nome. E isto é muito forte. No tempo em que eu fazia cursinho, num lugar que nem existe mais hoje em Santo André, (o Universitário), o professor de redação, uma vez deu-me um tema em que não correspondi ao que ele queria - o que era raro. O tema era: “O belo é bom, mas o bom é naturalmente belo”. Filosófica... Era uma teoria de alguém, que hoje descobri ser o filósofo JOHANN GEORG SULZER. Mais um sinal de que Johann influenciou-me vida afora, sem que eu soubesse. Contudo, sua influência numerológica não abrangeu tudo o que acabei tornando-me, por minha própria vontade e burilamento. E, sendo o que quis tornar-me, e o que o mundo tornou-me, - nem sempre com o meu consentimento -, resultei num ser que, ou não concorda com a teoria de Johann, ou não a compreende o bastante. Não desenvolvi bem a temática, estendi-me demais na argumentação. Mesmo assim e, talvez, por isso, ela ficou gravada pra sempre em mim.
Hoje, não uso mais meu primeiro nome: Súlzer. Apresento-me pelo segundo nome e sou Larissa ou Lari, ou La, pra quem amo. Bastam os tempos de escola, em que o professor fazia questão de não pronunciar corretamente Súlzer, para perguntar-me a pronúncia, sempre soletrando, fazendo questão de envergonhar-me, salientando sua estranheza e estrangeirismo . Não sabiam eles, nem eu, o que este nome me traria. E, apesar de, ainda hoje, não gostar de ouvi-lo quando me chamam, não abro mão do meu diferencial. Do meu primeiro sobrenome-nome, europeu e espacial que tanto revela de mim. Odiei-o demais já. E com isto talvez tenha perdido muito do que ele me trouxe. Hoje, nesta recuperação do que sou, quero ser TUDO o que sou e fui, inclusive Súlzer.

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A locomotiva

 

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O escritor

C’est l'écrivain suisse de langue allemande ALAIN CLAUDE SULZER qui a remporté le prix Médicis du domaine étranger avec «Un garçon parfait» Ce roman, qui traite de l'homosexualité à travers l'histoire d'un amour impossible entre deux garçons, dans les années 1930, est le premier de cet auteur à être traduit en français.

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O asteróide

16505 Sulzer Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Sulzer Número 16505 Data da descoberta 12 de Outubro de 1990 Categoria Cintura principal Características orbitais Perélio 2,7625789 UA Afélio 3,2222249 UA Excentricidade 0,0768022 Período orbital 1 890,71 d (5,18 a) Velocidade orbital 17,21800345 km/s Inclinação 10,65473º Sulzer (asteróide 16505) é um asteróide da cintura principal, a 2,7625789 UA. Possui uma excentricidade de 0,0768022 e um período orbital de 1 890,71 dias (5,18 anos). Sulzer tem uma velocidade orbital média de 17,21800345 km/s e uma inclinação de 10,65473º. Este asteróide foi descoberto em 12 de Outubro de 1990 por Freimut Börngen, Lutz Schmadel.

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O filósofo

JOHANN GEORG SULZER, autor da importante enciclopédia das belasartes, Allgemeine Theorie der Schönen Künste (Teoria Geral das Belas Artes, 1777), por outro lado, considera a Laune em uma acepção mais próxima da visão germânica, como uma disposição de espírito (“Gemüthsfassung”), um estado afetivo (“leidenschaftlicher Zustand”). No verbete “Laune”, ele aproxima os conceitos Laune e humor, e afirma que: “Laune é exatamente aquilo que comumente se expressa com a palavra francesa humeur, ou seja, uma disposição passageira [Gemüthsfassung] na qual uma emoção, agradável ou triste, é tão dominante que todas as idéias e expressões da alma são por ela contagiadas. Ela é um estado afetivo [leidenschaftlichen Zustand] no qual a paixão não é intensa, nem tem um objeto determinado; simplesmente, seu conteúdo agradável ou desagradável espalha-se por toda a alma. Em uma Laune alegre vemos tudo pelo lado prazeroso, numa triste, no entanto, é tudo triste. (...) O juízo não é totalmente tolhido pela Laune, como [é tolhido] por uma afecção violenta, mas é distorcido, pois não vê nenhum objeto em sua forma verdadeira, ou em sua proporção correta. (...) Freqüentemente, o artista não tem outra musa para auxiliá-lo que sua Laune. (...) Aquilo que nós vemos em sua forma verdadeira e com suas cores naturais, o homem humorista [launig] vê de forma alterada e com cor falsificada. Espanta-nos que ele não veja as coisas como nós as vemos, e por isso, o estado humorista (launig) se aproxima do ridículo, e serve para nos alegrar.
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A biblioteca

Conrad Sulzer Regional Library is one of two regional libraries in the Chicago Public Library system in Chicago. It was named for Conrad Sulzer, the first non-native settler in Lakeview. Lakeview is now a neighborhood in Chicago. The library is located in the Lincoln Square neighborhood at 4455 N. Lincoln Ave. It is a full service library and ADA compliant. As with all libraries in the Chicago Public Library system, it has free wi-fi internet service.



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A multinacional

http://www.swisscam.com.br/sulzer-brasil.html

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O certo e o errado



O certo e o errado. São fixos. Dois pilares. Ninguém pode saber se optar por um ou por outro é o que trará a felicidade, mas todo mundo sabe o que é certo, e o que é errado. É a voz da consciência. É um senso comum, mas, principalmente, superior às circunstâncias do humano. É a regra de conduta que, acima das justificativas inerentes a cada escolha do homem, estirpa o bem do mal. Bem e mal que, como o certo e o errado, são fixos. Não se movimentam de acordo com as circunstâncias, com os poréns de cada um, com os motivos subjetivos de cada ser, que opta pelo sim ou pelo não. Por isso, o que é certo e o que é errado, não depende de prisma. É estático e universal. O que se movimenta são as peculiaridades. Cada qual tem seus motivos, suas justificativas, seu passado, contribuinte ou cúmplice da escolha que fez. E estes fatores não deturpam o certo e o errado, apenas os humanizam. Os tornam passíveis de senãos e por causas capazes de conferir ao certo e ao errado uma aparência de simbiose, que os fazem assemelhar-se ao ser sujeito a esta consciência universal. O certo e o errado são a voz de Deus na consciência do homem. São perfeitos, intactos. Mas, à medida em que se tornam parte do homem, que opta por um deles e se justifica com sua própria história, com o meio em que está imerso, com os sentimentos inexplicáveis que nele se misturam, tomam a feição do homem e se tornam, aparentemente, passíveis de ponderação. Mas não são. O que é certo, é certo. O que é errado, é errado. E, apesar das circunstâncias que poderiam justificá-los, continuam basilares. As justificativas são apenas circunstâncias oriundas da cultura, dos costumes. Da vida humana e de suas confusões e misturas. Mas, por mais fortes que sejam, são apenas a voz do homem pretendendo, em descabido argumento e frágil escusa, abafar a voz de Deus.

Somos todos inocentes

Todos têm seus argumentos,
Seus motivos,
Seus lamentos.
Todos têm
Um porquê,
Um mas, um além de.
Todos têm uma dor,
Um medo,
Uma falta.
Um trauma passado,
Uma marca.
Todos têm
Uma mãe que falha
E uma infância amarga
Em algum estágio de criança.
Assim, todos têm
Motivos pra ser fracos, ou,
Sendo fortes,
Pra atemorizar.
No fundo é assim,
Todo homem é
Um poço de detalhes
Propensos a justificar.
Somos todos inocentes Com nossas imperfeições,
Reticências
E itinerantes carências.
Todos somos humanos,
Passíveis de erro,
De engano.
Somos todos inocentes
E parte de um plano
Que inclui erros e acertos,
Travessões, acentos,
Laterais, próprios
Ou anexos.
Todos têm seus acontecimentos
A justificar o lamento,
O desvio,
O nascimento.
Todos têm seu enduro
Pra atravessar.
E destes momentos é que vêm
As circunstâncias possíveis
De nos inocentar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Teclas

Escrevo apertado demais para canetas grossas. Gosto das Bics. Mas, para ser sincera, há tempos me machuco com todas. Aperto demais entre os dedos, e no papel. E dói. Falta de hábito. Hoje em dia, escrevo mais teclando. Como a maioria no mundo. Mas continuo achando mais charmoso escrever à mão. Porque a letra também revela a emoção. Às vezes as idéias vêm tão lépidas, que a letra treme, garrancheia. Pra que não se perca o miolo, a essência do poema, do pensamento. Adoro preencher um caderno inteirinho. Sem pular uma folha sequer, sem deixar um espacinho em branco. Preenchendo tudo com palavras. Com letras, de preferência, perfeitas. Batendo em ambos os paralelos da linha, como num caderno de caligrafia. Da mesma forma, gosto de gastar as canetas até o fim. Sinto prazer em ver uma caneta que cumpriu totalmente a sua missão. Escrevendo até que nenhuma gota de tinta sobrasse inútil. A carga vazia. Hoje, eu preferiria um caderno de folhas brancas e largas. Fáceis de manusear e de preencher fartamente. Mas escrever à mão dói ainda mais.

Terceiro Olho



Um terceiro olho, pra ver além das aparências. Um teste pr’um mundo que, cada vez mais, se oculta, sob as vestes, sob as frases, sob a pressa. Mas, e se, com ele, se pudesse adentrar no obscuro? Proteger-se dos falsos sorrisos, do auto-marketing promíscuo? O que seria de nós? O que veríamos? Bocas carcomidas, desdentadas, fartas de chagas, por causa do veneno das palavras, carregadas de mal e inveja? Corpos sofridos, envelhecidos, enegrecidos de fumaça e cachaça? Carcaças ocas, desleixadas, enfraquecidas pela falta de emprego dos músculos e membros? Cérebro diminuído, em tamanho e funções, porque não organiza, não processa, não limpa o que contempla e o que deixa de contemplar? Terceiro olho pra quê? Deixe como está.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Brumas vermelhas



Horizonte de deserto:
Brumas vermelhas.
Paisagem sibilante,
Quase uma miragem,
Sobe a poeira.
É a terra esturricada que transpira
Em moléculas aéreas.
A vista é entorpecida
Pelo ar denso.
Nenhuma folha é mexida
E nenhuma outra cor cintila.
Reina o vermelho.
De olhar, à distância, já é quente.
O sol estende-se pelo chão,
Concretamente,
Num terreno rubro-intenso.
Paira a cor vermelha
Do céu à terra.
A alegoria do inferno, a cor, desenha.
Mas os personagens são caboclos
E a música-tema
É o assobio do ar que não venta
E da vida que não se movimenta,
Apesar do suor que pinga
E da criança que lamenta.
Sobe a poeira
E sob ela há insistência
Dos dentes no sorriso do caboclo,
Querendo ser brancos,
Sob as brumas da poeira vermelha.
Sobe, sem cessar, a terra,
E sua cor é poeira.
Tinge a pele morena,
Enrugada pelo sol,
A espuma da água que lava
A roupa pesada do labor,
A lágrima que rola, grossa de pó,
E como miragem, desfaz-se,
Reincorpora-se na cor,
Torna à paisagem encoberta
De vermelho e calor.