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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Purpurina

este universo é mágico
despedaço-o com as mãos
em mínimas migalhas
purpurina sob os saltos
areia e átomos
em que estão suspensos corpos
o cosmos e a existência
minúsculos códigos e fórmulas
como o zero e um na informática
e as palavras em cadeia
do html
tudo está conectado
e têm dias em que a visão estende-se
e em que se escreve imerso
na poeira poética deste Mistério

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Indecifrável




A vida segue seu curso contínuo,
Não é miragem.
É milagre que se revela
À medida que inova.
Mesmo quando mantém-se,
Até quando estaca,
A vida vai adiante,
Mesmo parada.
Não devolve os instantes,
Nem as horas inúteis,
Ou a juventude desperdiçada.
A vida é um braço do tempo,
Alcova do que fica.
Quase um fim em si mesmo,
Casa de poesia.
Embebida em virtudes
De indecifráveis mistérios,
É passagem sob a poeira de dúvidas
Estrada que continua e reveza
A mesma aparência assemelhada,
Entre sóis e luas.
Mas sempre é diversa.
E prossegue seu destino
À deriva de cifras
De seu percurso imprevisível.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Brumas vermelhas



Horizonte de deserto:
Brumas vermelhas.
Paisagem sibilante,
Quase uma miragem,
Sobe a poeira.
É a terra esturricada que transpira
Em moléculas aéreas.
A vista é entorpecida
Pelo ar denso.
Nenhuma folha é mexida
E nenhuma outra cor cintila.
Reina o vermelho.
De olhar, à distância, já é quente.
O sol estende-se pelo chão,
Concretamente,
Num terreno rubro-intenso.
Paira a cor vermelha
Do céu à terra.
A alegoria do inferno, a cor, desenha.
Mas os personagens são caboclos
E a música-tema
É o assobio do ar que não venta
E da vida que não se movimenta,
Apesar do suor que pinga
E da criança que lamenta.
Sobe a poeira
E sob ela há insistência
Dos dentes no sorriso do caboclo,
Querendo ser brancos,
Sob as brumas da poeira vermelha.
Sobe, sem cessar, a terra,
E sua cor é poeira.
Tinge a pele morena,
Enrugada pelo sol,
A espuma da água que lava
A roupa pesada do labor,
A lágrima que rola, grossa de pó,
E como miragem, desfaz-se,
Reincorpora-se na cor,
Torna à paisagem encoberta
De vermelho e calor.