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domingo, 19 de agosto de 2012

COREOGRAFIA DO DESTINO


Sabe dançar, se embala
Eu não sei
O amor é uma palavra bonita
Fácil de rimar
Sábado, um bom dia
Quero uma saia florida
Que no chão arraste
Minha identidade não passa
Recito
Mas você gostava que eu gritasse?
Seu corpo vai redondo
Amanhã é domingo
O som é grave
Talvez um tiro?
O despertador me acorda
Com único tinido
Pim!
Cai aqui
Nas minhas cadeiras sem rebolado
Me xinga com coragem, sem pudor
Tipo Paula Miasato
Quem não quer?
Seus nojos não convêm à libido
Me beija saliva
Me lambe sorvete
Se derrama, vai!
A que veio essa dança?
Encara
Não requebre à toa
Os balés exaurem
Vê se me erra
Ou deixa de coreografia.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Toda tentativa de controle é vã


Abaixo toda tentativa de controle!
Não adianta nada,
Não leva a lugar algum.
De que serve essa preocupação toda?
Par que esse lugar comum?
Solta essas dores!
Desamarra os cadarços em nó
Que prendem seus sapatos um ao outro
E não te deixam andar!
Abaixo o medo de cair!
A vã intenção de determinar
Por onde os passos vão.
Não se prenda mais a esse ciúme vil,
Ou a qualquer outra besteira que te faça pensar
Que algo neste mundo cão
Está nas tuas mãos. Nada está!
Tudo é mágico e imprevisto!
Pule as poças, veja a previsão do tempo,
Mas esteja preparado
Pras quedas e tropeços,
Pros ventos do leste e do sul
Que te arrastam os chapéus
E te mudam o curso.
Para de tomar sempre a frente de tudo!
Deixa a vida no domínio.
Entrega seu destino
Ao primeiro raio de sol!
Abandona essa arrogância de prever,
Essa vontade louca de agarrar.
Deixa o vento soprar
Pra onde tiver que ser!
Se larga pra viver
Afinal em paz.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Bilhete premiado

Eu disse que não escreveria,
Mas não posso.
É demais que eu não te invoque
Ao menos através
Destes versos estáticos.
Tudo na vida, é vontade.
A nossa será bastante
Pra ficarmos distantes
Estando tão ligados?
O que faremos da paixão?
Dar-lhe-emos o condão
De ser nosso pecado
Ou apenas o acaso
Que deságua em nossos braços
O destino premiado?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Indecifrável




A vida segue seu curso contínuo,
Não é miragem.
É milagre que se revela
À medida que inova.
Mesmo quando mantém-se,
Até quando estaca,
A vida vai adiante,
Mesmo parada.
Não devolve os instantes,
Nem as horas inúteis,
Ou a juventude desperdiçada.
A vida é um braço do tempo,
Alcova do que fica.
Quase um fim em si mesmo,
Casa de poesia.
Embebida em virtudes
De indecifráveis mistérios,
É passagem sob a poeira de dúvidas
Estrada que continua e reveza
A mesma aparência assemelhada,
Entre sóis e luas.
Mas sempre é diversa.
E prossegue seu destino
À deriva de cifras
De seu percurso imprevisível.