Vou ficar aqui sem fazer nada um pouco, só um pouco
Só o tempo de me refazer dos dias, do peso de tudo
As coisas leves alimentam mais: a natureza, as lembranças
Os versos, o silêncio, uma história, uma canção, um beijo
Deitada na areia vendo o sol se pôr, eu queria as tardes
Com o canto do galo e o mamoeiro na janela, as manhãs
Nas noites, lua, estrelas, seresta, corujas, firmamento
O que importa de verdade é simples, mas como é difícil
Manter simples, ficar rente à natureza, ouvir os passarinhos
Sentir o cheiro das flores no caminho, olhar nos olhos o vizinho
Ver as cores... As cores entram pela vista e nutrem a alma cinza
Os passos automatizados, que seguem na rotina, sem atalho
Verde, azul, amarelo, rosa, um beija-flor, o som de um sabiá
Na madrugada. Naquela casa há uma gaiola com cortina
Como é triste a prisão do passarinho que não vê o céu!
Se ele canta, é um lamento de tristeza, uma saudade
Uma súplica pelo azul da liberdade, pelo verde da esperança
E os nuances e contrastes do que se perde neste corre-corre.
Lári Germano
Mostrando postagens com marcador azul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador azul. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 8 de maio de 2013
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Bolha de sabão
Uma bolha de sabão
Kraft Kraft
Daquelas gigantes que se inflam com cordas e engolem gente
Era essa a viagem
Pousou na calçada, desfazendo-se
A água era quase nada
E o sabão apenas o brilho azul na lembrança
Sua passagem, um devaneio
Veículo de estrutura leve
Pr’aqueles sonhos mais breves de se realizar
E a moça sem dentes
Kraft Kraft
Não tinha cabelos, nem mangas
E sorria com as mãos enquanto movia as cores da bolha no ar
Só uma criança banguela
A moldar um círculo que evapora
Enquanto sorri
Pluft
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
PESSOAS QUE SALTITAM
Têm pessoas que não vão
Perambulam de cá pra lá, de lá pra cá
Saltitando
Às vezes, só sombras brincalhonas
Sobre nossos passos
Mas seus traços preenchem lacunas
Ficam gestos e perfumes
Assuntos
A doçura profunda não se esvai com o tempo
Fica pro infinito
Às vezes numa cor azul
De olhos ou de águas
Outras em retratos
Eternizados na memória
Loucuras pequeninas
Cenários grandiosos
Entregas impossíveis que deságuam
Almas vulneráveis que se jogam
À vontade de não esquecer
Nem serem esquecidas
Deixam-se perpetuamente
Entre as coisas temporárias
Que ficam
domingo, 3 de julho de 2011
PEQUENA POESIA
paz nas cortinas
ondas pela casa
o mar está suspenso
no ar, denso
flutua-se como n’água
sobre prancha de isopor
tudo que eu mais quero da vida
risada e amor
mais nada
Assinar:
Postagens (Atom)