Mostrando postagens com marcador cores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cores. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Gaiola acortinada

Vou ficar aqui sem fazer nada um pouco, só um pouco
Só o tempo de me refazer dos dias, do peso de tudo
As coisas leves alimentam mais: a natureza, as lembranças
Os versos, o silêncio, uma história, uma canção, um beijo
Deitada na areia vendo o sol se pôr, eu queria as tardes
Com o canto do galo e o mamoeiro na janela, as manhãs
Nas noites, lua, estrelas, seresta, corujas, firmamento
O que importa de verdade é simples, mas como é difícil
Manter simples, ficar rente à natureza, ouvir os passarinhos
Sentir o cheiro das flores no caminho, olhar nos olhos o vizinho
Ver as cores... As cores entram pela vista e nutrem a alma cinza
Os passos automatizados, que seguem na rotina, sem atalho
Verde, azul, amarelo, rosa, um beija-flor, o som de um sabiá
Na madrugada. Naquela casa há uma gaiola com cortina
Como é triste a prisão do passarinho que não vê o céu!
Se ele canta, é um lamento de tristeza, uma saudade
Uma súplica pelo azul da liberdade, pelo verde da esperança
E os nuances e contrastes do que se perde neste corre-corre.

Lári Germano

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sinal de PARE

Erguerei uma placa:
_Não se aproxime
Quem não quer amar.
E quem quer, mas não sabe,
Pare!,
Também se afaste
Pra longe de mim.
E quem sabe e quer,
Mas não pode,
Detenha-se!
Contenha os passos,
Parta!
Só se aproxime
Quem tiver além de sentimento,
Disposição.
Disposição pra amar,
Pra se entregar,
Pra construir.
Não se aproxime de mim
O ofendido, o ferido,
O magoado, O arrependido,
O amaldiçoado.
E quando, ao se aproximar,
Tocar minha face,
Cuidado! Minha pele não é de carne,
É porosa e, como milagre,
Tua essência derramar-se-á
Pra dentro dela,
Misturando-se com minhas células,
Todas elas,
As mais escusas.
E, se tocando,
Olhar-me
Um momento, recue!
Dentro de meus olhos há um mundo, um tormento,
Um pecado, um absurdo,
E se você o encarar
Para sempre será tocado
E jamais partirá.
Mas, se partir,
Não se deixe estar,
Nem nas coisas,
Nem nas palavras,
Nem nas músicas.
Parta com seus medos,
Suas minúcias.
Parta com seus beijos,
Seus gostos, cheiros
E doçuras.
Parta com suas dores,
Suas cores escuras,
Com minhas marcas,
Com minhas cores,
Misturadas com as suas,
Cheias de amores.