Há coisas que a gente sonha e que se realizam, como se a gente as tivesse escolhido. Mas há coisas que a gente sonha que somem no tempo, por caminhos, a gente não sabe por onde, perdidos. Porque há momentos em que Deus nos ouve e cuida, e há outros em que Ele nos deixa. É uma coisa muito doida pensar que o futuro será mais ou menos o que se idealizou que ele seria. E, ao mesmo tempo, concluir que esse “mais ou menos” não nos compete, e que não saberemos, jamais, exatamente, em que medida, ou quais, sonhos e partículas deles, irão se materializar. Os desenhos da existência são feitos de traços oblíquos, flexíveis e passíveis de se tornarem uma coisa que a gente nunca chegou a pensar, mesmo tendo-a sempre pensado, em partes.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Queria desenhos
Com elas faço caras, nuvens e mares
Com elas preencho tudo de cores,
Ou retiro
Pincelando-as com a apatia mesma
Dos passados amores
Meus desenhos são as palavras,
Esvoaçantes como passarinhos
Ou tristes como as lágrimas
De causa desconhecida
Por vezes são tão vivas,
Repletas, cheias, sortidas
Outrora tão escassas, desprovidas
Da argamassa que edifica
Ilustram em branco e preto
O silêncio contido,
O sentimento perdido,
A conquista que se esvai
Meus desenhos são as palavras
Mas ainda são melhores
Porque delas além de imagens
Há sons, há paragens
Delas, simultâneas, caem
As mordaças habituais
E a mente enrustida
Meus desenhos são as palavras,
Coloridas ou esfumadas
Tocadas de fel ou de ar
São os melhores retratos,
Os mais caros bordados
A ilustrar o som que rima
Da dor que sai.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Outra flor
Sou flor de papel.
Desmancho fácil.
O toque da mão me amassa,
Um contato mais ágil, me rasga.
O molhado me dissolve,
O perfume me mancha,
O tempo me desgasta.
Sou flor de papel,
Um desenho a lápis.
Só é seguro, contemplar-me.
Ao tocar-me,
Corrompe minhas faces,
Dilacera minha integridade.
No papel, retratada,
Estou segura.
Em outro formato e matéria,
Eternizada.
Mas se toca e apalpa,
Examina, aspira ou aperta,
O desenho deteriora.
Deixa de ser a flor que era.
Deixa de ser, o desenho,
O papel de outrora.
E a flor muda de feição,
Ganha outra história.
Pode mesmo continuar flor
Como pode desmanchar, sem sobra.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
O amor pode ter muitos desenhos
O amor pode ter muitos desenhos.
Nunca podemos saber qual será.
Meu desejo era que a emoção do começo
fosse o impulso motriz.
Minha idéia era pegar a emoção e ir.
Com a força do início,
com a explosão de sentidos,
deixar-se levar e com a paixão
começar o amor que viria.
Mas o desenho do amor nem sempre é assim.
O amor pode ter muitos desenhos
e nunca poderíamos saber
que desenho tomaria o nosso amor.
E mesmo que ele não se erga
sobre a arquitetura que pensamos,
se ele de qualquer forma existir,
será o que planejamos,
sem saber que seria.
Mas também pode ser, às vezes,
que a paixão não passe de uma planta,
um planejamento, uma idéia,
que nunca levará cimento e pedra,
apenas areia e idéia.
Mas quem poderá saber
se o desenho que faz a paixão
tornar-se-á a estrutura
de uma história real?
O amor pode ter muitos desenhos
e também pode não existir.
Pode também o desenho
existir sozinho, por si.
O desenho que é só um plano,
um pensamento num papel,
ou num ideal qualquer.
Contudo ainda creio
que a paixão sempre será
o melhor desenho pra começar
um amor entre homem e mulher.
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