Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Filosofia do futuro

Há coisas que a gente sonha e que se realizam, como se a gente as tivesse escolhido. Mas há coisas que a gente sonha que somem no tempo, por caminhos, a gente não sabe por onde, perdidos. Porque há momentos em que Deus nos ouve e cuida, e há outros em que Ele nos deixa. É uma coisa muito doida pensar que o futuro será mais ou menos o que se idealizou que ele seria. E, ao mesmo tempo, concluir que esse “mais ou menos” não nos compete, e que não saberemos, jamais, exatamente, em que medida, ou quais, sonhos e partículas deles, irão se materializar. Os desenhos da existência são feitos de traços oblíquos, flexíveis e passíveis de se tornarem uma coisa que a gente nunca chegou a pensar, mesmo tendo-a sempre pensado, em partes.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tentativa de poema

Quero fazer uma poesia sem rimas, sem nenhum som, nenhuma lógica, nenhum pensamento. É possível fazer uma poesia-retrato? De momento? Como uma onda que quebra na areia, como aquele instante em que se sente ser a mais bela e a mais triste? É possível um poema daquele escuro minuto em que se fecha os olhos e se pede ao Universo um novo mundo, numa noite de réveillon? Eu quero um poema tão doce como uma música que encanta, apaixona, eleva, desperta na gente um transcender, uma amplitude inimaginável. Quero um poema que revele mais proximamente a delicadeza de um amor que nasce e nem sempre se materializa. Um poema é sempre uma tentativa de alcançar o mais profundo do ser, mas que, pra adentrar, não precisa cavar buraco, apenas apropriar-se de detalhes e retalhos da rotina. As florzinhas daquele vestido branco, molhados de água salgada, enquanto se pedia à Janaína a transformação de tudo. A solidão daquele copo plástico tocando os lábios com champagne originalmente francesa. O toque dos dedos viciados nos anéis dos cabelos novamente enrolados. Um olhar furtado, uma voz macia. Um cenário desconhecido, um planeta revisitado em sonho. Fazer um poema nublado como as imagens em sono, misturadas, tensas, ecléticas. Um poema perfeito e intacto como um amor platônico.