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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Romance de TV


Não sei se tu és pra vida
Quem me dera saber
Tanta gente eu pensei não partisse
E levou a maré
A vida às vezes faz isso
A gente pensa que pode ver
E ela mostra que além não se vê
Tantas vezes eu ouvi juras
E tantas vezes ouviste também
Mas parece que o futuro
É qual moleque travesso
Acontece do jeito que quer
Carrega o ‘pra sempre’ no bolso
E só entrega a quem entender
Se tu te adiantas, não sei
Mas tenho esperança
Seja este não saber
Uma carta na manga
Pra ganhar um romance de TV
Que dure até o envelhecer

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Filosofia do futuro

Há coisas que a gente sonha e que se realizam, como se a gente as tivesse escolhido. Mas há coisas que a gente sonha que somem no tempo, por caminhos, a gente não sabe por onde, perdidos. Porque há momentos em que Deus nos ouve e cuida, e há outros em que Ele nos deixa. É uma coisa muito doida pensar que o futuro será mais ou menos o que se idealizou que ele seria. E, ao mesmo tempo, concluir que esse “mais ou menos” não nos compete, e que não saberemos, jamais, exatamente, em que medida, ou quais, sonhos e partículas deles, irão se materializar. Os desenhos da existência são feitos de traços oblíquos, flexíveis e passíveis de se tornarem uma coisa que a gente nunca chegou a pensar, mesmo tendo-a sempre pensado, em partes.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lágrimas de plástico


Não limite meu espaço
Não me venha com seus traços
Eu passo a borracha
Sou forte como uma rocha
Que a força do tempo erodiu
O mar debruça sobre mim
E a luz das estrelas me atravessa
Porque, apesar de feita de pedra
Por meus poros largos, perspassa o presente
Alcança o futuro
E lá é que está o momento
Em que tudo fará sentido
Minhas lágrimas são de plástico
Recicláveis e indolores
Querendo, jogo-as no vento
E  poderá usá-las um pouco
Sem arriscar-se à dor
Sem desperdiçar sal
Ou escolhas