Por um momento, o amor é pleno
E tudo em mim é silêncio
Tudo em volta é sereno
- por um momento - breve nevoeiro
Tudo em nós faz sentido
Não há medos, meio-termos
Mas é um momento apenas
Um instante, um delírio
Por um momento, você me olha
Você me alcança
Por um momento, esta dança
No pôr do sol da esperança
E este beijo
Entre as lágrimas da chuva
É completo
E tudo em paz é veneno
Tudo ardendo é silêncio
Todo segredo é sarcasmo
Todo amor é pequeno
Por um momento, você me olha
Por dentro.
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segunda-feira, 17 de junho de 2013
quinta-feira, 16 de junho de 2011
ENCONTRO
Encontro é o curto momento em que a existência, que caminha a esmo a maior parte do tempo, faz sentido e nos remete ao encanto do inexplicável. Curto momento em que a congruência entre dois seres sobressai e altera o itinerário. Curto e inevitável momento em que a reação entre dois corpos resulta em conjunção de almas e dá asas ao acaso. Curto momento que perdura, apesar da brevidade, e cobre de prata os detalhes que preenchem tudo o mais que é vida, mas não é felicidade.
(Se são só momentos o que temos, que possamos vivê-los completamente, sem medo, pra que as lembranças sejam inteiras e nosso sustento no intervalo que se impõe entre nós e o reencontro).
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Lágrimas de plástico
Não limite meu espaço
Não me venha com seus traços
Eu passo a borracha
Sou forte como uma rocha
Que a força do tempo erodiu
O mar debruça sobre mim
E a luz das estrelas me atravessa
Porque, apesar de feita de pedra
Por meus poros largos, perspassa o presente
Alcança o futuro
Alcança o futuro
E lá é que está o momento
Em que tudo fará sentido
Minhas lágrimas são de plástico
Recicláveis e indolores
Querendo, jogo-as no vento
E poderá usá-las um pouco
Sem arriscar-se à dor
Sem desperdiçar sal
Ou escolhas
domingo, 9 de maio de 2010
Banho de espuma
Quero sentir um amor desses que fazem o ser evoluir... A tranqüilidade de um sentimento íntegro, total, permanente... Quero sentir conforto, alegria, bem estar. Apenas curtir, aproveitar, sem aquela insegurança constante pendendo sobre a cabeça, apertando a glote, como uma corda ao redor do pescoço. Ficar ao lado de alguém sem ter que falar. Mas também sem ser obrigada a reter as palavras por medo de represálias ou discórdia. A coisa da alma gêmea, bem sei que não existe. Mas existe a afinidade, aquela imprescindibilidade rara de um ser humano para o outro. Há isso nas amizades, não sempre, é claro. E na família, também - não com todos, infelizmente. Então há de haver a afinidade, a paz, também no amor. Eu quero mais que a paixão. Quero a calmaria da união contínua, até a rotina. Quero o desencadear dos acontecimentos pequenos que tornam a vida tão magnífica. Uma vez me disseram: “é pelas coisas simples que nos apaixonamos!” -, sim, é claro que é. São as mínimas coisas que nos impressionam. Não as grandes... As grandes, nem nos lembramos. Afinal, o que é grande mesmo? O impacto da vida está nos detalhes, no dia-a-dia, na esperança de se poder contar com alguém por toda uma vida. Mesmo que seja só uma doce esperança. Mesmo enquanto se vive um “acontecimento”, caberá na memória só a singularidade, o sorriso, o calor de um abraço, um gesto peculiar. É isso o que eu quero encontrar. A amizade, que é eterna, num amor pleno e meigo, suave e inteiro, como um banho de espuma.
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