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domingo, 4 de setembro de 2011

Natureza masculina

Um homem não precisa ter nada
O homem só precisa insistir
Ter paciência, jeito, carisma
Um homem não precisa ser bonito
Nem rico
Nem simpatissíssimo
Um homem só precisa de jeito
E persistir no intento
Descobrir os caminhos
Através dos quais
Alcançar seu desejo
Em se tratando de uma mulher
Basta ter paciência
Buscar atalhos, ficar de tocaia
Há sempre uma noite
No dia de toda gente
E o homem que estiver à espreita
Atrás das brechas pequenas
Por onde penetram o encontro
Ganha a parada
O homem não precisa ser nada
Mas precisa ser muito homem
Pra merecer a conquista
Que por ele espera em alguma esquina
Numa lágrima perdida
Ou num detalhe escondido
Da mulher amada

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ENCONTRO


Encontro é o curto momento em que a existência, que caminha a esmo a maior parte do tempo, faz sentido e nos remete ao encanto do inexplicável. Curto momento em que a congruência entre dois seres sobressai e altera o itinerário. Curto e inevitável momento em que a reação entre dois corpos resulta em conjunção de almas e dá asas ao acaso. Curto momento que perdura, apesar da brevidade, e cobre de prata os detalhes que preenchem tudo o mais que é vida, mas não é felicidade.

(Se são só momentos o que temos, que possamos vivê-los completamente, sem medo, pra que as lembranças sejam inteiras e nosso sustento no intervalo que se impõe entre nós e o reencontro).


quarta-feira, 9 de março de 2011

Horizontes de silêncio

Nas cidades pequenas
Não se perde o horizonte
A estrada se alonga e vai
Até onde o sol se põe
E a dois seres que se cruzam
É possível o silêncio
Que dialoga com o íntimo
Do encontro que nasce
Apesar do desconhecido
Porque o vértice é fugaz
Entre dois seres lado a lado
Há o que foge e o que fica
O que vai e o que corre atrás
E assim se constrói o universo do encontro
Pois apesar do conexo
Há o indivíduo complexo
Que se quer deixar estar como está:
Apesar do encontro: Indivíduo
Mas adiante algo nos liga
A outro que já não está, mas que fica
Num gesto, ou palavra
No medo, ou numa lágrima,
Num dedo que se insinua no meio da palma
Ou nos lábios que se unem
Bochechas flácidas
A assoviar...
E as palavras novas que são ditas
Carregam em si nostalgia
De outros encontros
Horizontes esquecidos
Que se reanunciam

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Verdade? Momentos.



O que são as pessoas? Por que não as posso ver como são e sim como as quero? E, sim, como preciso que elas sejam? Choro lágrimas gordas de desesperança. Quando a esperança é tudo o que me sobra. Gordas lágrimas de mágoa, de dificuldades. Corrida com obstáculos. Por quê? Por que o medo da intensidade dos sentimentos? E, ao mesmo tempo, por que só em mim é tudo tão intenso? Tenho medo. Medo das pessoas que têm medo. Medo do próprio medo. Medo de dar coragem à coragem que sobrevive aos meus erros. Os homens e suas perturbações. Se não estão prontos, por que o encontro? Por que as promessas que não têm intenção de serem realizadas? Por que as palavras, as carícias trocadas? O que eu queria dizer, fugiu. As palavras e a vontade própria que elas insistem em ter... Tenho momentos. Carinhosos e ternos momentos. Apenas isso. Instantes. Consolos pequenos pra uma estrada longa e árdua, de muitas dúvidas e longos sofrimentos de pensamento. Sim, porque em mim é no pensamento que a dor reside. Em mais nada. Todo o concreto está em seu devido lugar. O emprego, a família, a saúde. Só me dóem as idéias. As seqüências sem seqüência que se organizam na mente, como um vídeogame. Sinto falta das verdades que não conheço. Falta em confiar. Nos seres. Na terra. Em mim. Quem entende o objetivo de tudo isso? A graça, os milagres, estão no caminho... nestes poucos minutos cheios e repletos? Ou a verdade é só uma vontade de ser melhor? De estar mais perto de Deus? Será o amor uma escolha? Ou um acaso? Mas que diferença faz, afinal, se, no final, desfazer o laço é sempre igual? Apaixono-me tão facilmente. Porque a esperança sempre me rende.