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terça-feira, 1 de novembro de 2011

descaminhos


há constatações insensatas
constelações apagadas
corações consternados
braços e mãos cruzadas
há brechas delicadas
beirais floridos de medo
há verdades intangíveis
segredos ao toque das asas
há almas perdidas
em corpos desconhecidos
há desassossego por baixo
das vestes e do próprio ninho
há tristezas vindo
há sorrisos mortos
lábios cansados sorrindo
e janelas, portas e pedras
cantando caminhos tortos
pra nossas futuras pegadas

domingo, 21 de agosto de 2011

TRATADO SOBRE A TRISTEZA


A tristeza é minha amiga e não se aparta por muito tempo. É uma companhia itinerante, que quando menos é provável, me visita, carregada da velha bagagem de sempre.Hospeda-se comigo, sem alarido, e sua estada me é familiar e serena. E até que ela se vá, eu me dedico a consolá-la somente.
Não tenho queixas a respeito dela. Ela não me trai jamais. Estar com ela é passear um pouco na madrugada, sem saudade do dia. É deixar-se existir sem a expectativa dos sorrisos ou do júbilo.
Encostar-me um pouco no fundo, recarrega minhas baterias. Quando vejo as coisas do alto, minha percepção é dúbia e me ilude. O que a tristeza tem de mais bonito é que ela não me derruba. E estar com ela sem alarde, me faz mais forte e mais capaz de seguir sem medo. Afinal, quem tem na tristeza uma amiga, não tem o que temer.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Paraquedas

O encanto é como purpurina. Apesar do brilho, de textura tão fina, uma coisa tão delicada, tão facilmente pulverizada... Como é fácil desvanecer-se!
O limiar entre o real e o sonho, entre a coragem e o contentamento rasteiro, é indiviso, estreito.
O senso comum e o habitat seguro não conversam com o inesquecível. Pra pular de bung jump não é preciso asas, é preciso peito.
Pra ser feliz é preciso, antes, achar a saída dos labirintos que te reconduzem a si mesmo. Aqueles de que são feitos seres ímpares como os boêmios e os esposados.
Seres antagônicos dotados do mesmo defeito em pontas opostas. Enclausurados nas artimanhas do medo e suas defesas.
E, o ar, só merecem os sonhadores, os incorrigíveis, os apaixonados e soltos.
Paraquedas não se abrem à toa.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Mensagem

Meu amor, meu alento. Ah, como estou carente do teu tempo, do teu laço premido em meu ser, por fora e por dentro, com a doce constância do bem querer e a terna insistência do suceder dos segundos. Meu mundo é novo e, inteiro, é você.
Não quero desaprender a ser só, mas como é fácil esquecer! Enredada em teus braços, seguida por teu passo, sigo sem prever os buracos ou os percalços. Esqueço como se já não soubesse, como se o novo, de tão novo, o velho fenecesse.
Mas sem resquício algum, o que é mofo, desaparece. Com a esperança dos primórdios tempos de uma vida e o despreparo da iniciativa. Único rastro é uma vaga lembrança, como os cheiros de quando se é criança, que rondam de vez em quando, com alternância e, em segredo, momentaneamente.
É quando o terror me toma a mente, com os horrores e a fumaça do breu. Com os odores do desassossego de outrora. Mas é só memória, é só o infortúnio da inglória caminhada. É só a carência de você de braço dado com o medo de perder-te.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Verdade? Momentos.



O que são as pessoas? Por que não as posso ver como são e sim como as quero? E, sim, como preciso que elas sejam? Choro lágrimas gordas de desesperança. Quando a esperança é tudo o que me sobra. Gordas lágrimas de mágoa, de dificuldades. Corrida com obstáculos. Por quê? Por que o medo da intensidade dos sentimentos? E, ao mesmo tempo, por que só em mim é tudo tão intenso? Tenho medo. Medo das pessoas que têm medo. Medo do próprio medo. Medo de dar coragem à coragem que sobrevive aos meus erros. Os homens e suas perturbações. Se não estão prontos, por que o encontro? Por que as promessas que não têm intenção de serem realizadas? Por que as palavras, as carícias trocadas? O que eu queria dizer, fugiu. As palavras e a vontade própria que elas insistem em ter... Tenho momentos. Carinhosos e ternos momentos. Apenas isso. Instantes. Consolos pequenos pra uma estrada longa e árdua, de muitas dúvidas e longos sofrimentos de pensamento. Sim, porque em mim é no pensamento que a dor reside. Em mais nada. Todo o concreto está em seu devido lugar. O emprego, a família, a saúde. Só me dóem as idéias. As seqüências sem seqüência que se organizam na mente, como um vídeogame. Sinto falta das verdades que não conheço. Falta em confiar. Nos seres. Na terra. Em mim. Quem entende o objetivo de tudo isso? A graça, os milagres, estão no caminho... nestes poucos minutos cheios e repletos? Ou a verdade é só uma vontade de ser melhor? De estar mais perto de Deus? Será o amor uma escolha? Ou um acaso? Mas que diferença faz, afinal, se, no final, desfazer o laço é sempre igual? Apaixono-me tão facilmente. Porque a esperança sempre me rende.