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terça-feira, 1 de novembro de 2011

descaminhos


há constatações insensatas
constelações apagadas
corações consternados
braços e mãos cruzadas
há brechas delicadas
beirais floridos de medo
há verdades intangíveis
segredos ao toque das asas
há almas perdidas
em corpos desconhecidos
há desassossego por baixo
das vestes e do próprio ninho
há tristezas vindo
há sorrisos mortos
lábios cansados sorrindo
e janelas, portas e pedras
cantando caminhos tortos
pra nossas futuras pegadas

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os pés

Os pés...
O que há neles, que dóem?
Os pés querem andar, caminhar
O que há neles, nos pés? Que dóem, dóem?
O nervo exaltado, inflama, dói o calcanhar
E no dedo do pé direito, a unha encrava
O que há nos pés? Que querem andar
Estreitos, encolhidos em sapatos
Em extremos caminhos sopapos
Dóem os pés, por que dóem?
O que dóem, nos pés de estar?
Dóem os seres sentados, gravatas
Escaninhos, mesas, divisórias
Dói o mar distante e a areia
Lá de fora, ventos e lugares nas solas
De sempre, os mesmos trilhos e veias
Dóem os estribos, por que dóem?
Os pares perdidos semeiam
O que há nos pés que eles dóem, dóem?
Se não dóem de ficar?