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terça-feira, 1 de novembro de 2011

descaminhos


há constatações insensatas
constelações apagadas
corações consternados
braços e mãos cruzadas
há brechas delicadas
beirais floridos de medo
há verdades intangíveis
segredos ao toque das asas
há almas perdidas
em corpos desconhecidos
há desassossego por baixo
das vestes e do próprio ninho
há tristezas vindo
há sorrisos mortos
lábios cansados sorrindo
e janelas, portas e pedras
cantando caminhos tortos
pra nossas futuras pegadas

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cidade perdida


Queria a presença legítima
De um tempo extra,
De um momento que exista
Entre o agora e o depois.
Viver as escolhas deixadas
Nesse instante embutido
No avesso dos panos guardados
Que não vestimos.
Ouço você me chamando,
Mas não atendo
...
(O real não deixa).
Vejo você pelo espelho,
Sua sombra na minha calçada.
Adianto seus cabelos brancos
Sobre minhas pegadas
E eu sempre a contar-lhe
Meus planos e queixas.
Mora entre nossos olhos
Uma cidade perdida.
O vazio das ruas desertas
E a ternura das coisas sonhadas
Por nós não vividas.
Queria permanecer neste espaço
Entre o seu sussurro e o meu suspiro.
Queria mais palavras,
Assuntos incontidos.
Vejo você chegar 
E, com um aceno de mão,
Resgatar-me deste lugar
Reservado a mentiras,
De amanhãs, impedido.