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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

NARCISO



Das palavras que falo
Ouvem-se poucas
Minhas idéias são as internas
E não as ditas
Menos ainda, as ouvidas
O ouvinte escolhe
Entre os caminhos
O sentido possível
Aos seus frágeis ouvidos
O diálogo é qual o aprendizado
O que se quis dizer
Às vezes fica perdido
No espaço que separa
Um ser do outro
Na vala que faz, de cada alma
Uma trilha solitária e árdua
Apesar de acompanhada
Na insistente tentativa
De compreender , de alcançar
De aliar-se a um par 
Das conversas, caminhos se abrem
Em escolhê-los com cuidado
E fidelidade, faz-se o diálogo
Mas o alcance total é inviável
Não queira a compreensão integral
Só Deus sabe - e eu
O sentido das palavras que abrem
A estrada por que caminho
A pilastra em que se apóiam os detalhes
Que me conservam indivíduo
Alcançar-me é impossível
Explicar-me, portanto
Inútil, incrível
Das palavras que profiro
Tudo o que vê
São os destinos que dita
Pra seu próprio sentido
Narciso!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Horizontes de silêncio

Nas cidades pequenas
Não se perde o horizonte
A estrada se alonga e vai
Até onde o sol se põe
E a dois seres que se cruzam
É possível o silêncio
Que dialoga com o íntimo
Do encontro que nasce
Apesar do desconhecido
Porque o vértice é fugaz
Entre dois seres lado a lado
Há o que foge e o que fica
O que vai e o que corre atrás
E assim se constrói o universo do encontro
Pois apesar do conexo
Há o indivíduo complexo
Que se quer deixar estar como está:
Apesar do encontro: Indivíduo
Mas adiante algo nos liga
A outro que já não está, mas que fica
Num gesto, ou palavra
No medo, ou numa lágrima,
Num dedo que se insinua no meio da palma
Ou nos lábios que se unem
Bochechas flácidas
A assoviar...
E as palavras novas que são ditas
Carregam em si nostalgia
De outros encontros
Horizontes esquecidos
Que se reanunciam