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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

AMOR DE FIM DE MUNDO


Vou amar você como quem não quer nada
E viver essas noites à toa
Curtir as madrugadas de boa
E, sem pressa, em insones horas
Deitar meu rosto na sua face
Ignorando a alvorada e o dilema
De amar para sempre em instantes
Medidos de iminente ausência

Vou amar você à sombra
Como quem não tem o que fazer
E comer-lhe a fala e o hálito
Embebidos em beijos
Desconstruir seu argumento
Soprando-lhe o ar de suas próprias narinas
Desfiar fio por fio o raciocínio
Que é a rede onde deita
O tormento da sua partida

O amor que tem pra mim
É bonito demais de se ouvir
E cândido e tenro e triste
O amor que me tem estende-se
Como uma música de Jorge Ben
E eu vejo seus rodopios e medos e saltos
Num balé clássico-dramático
Imprevisível

Vou amar você assim
Como quem dança sobre o abismo
Num dia de tempestade e ventos que assoviam
E a cada passo, negociar com a morte
Mais um pouco de romance
Mais do inesquecível

Vou amar você como quem sabe a data
Em que o mundo encerra o expediente
E deixar que tudo aconteça, ou nada
Até que nos vença o desfecho, o destino

Um dom é desafiar o fim
E agarrar os minutos contados
O sonho impossível

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Páscoa

Precisei mudar.
Não porque quis com aquilo que se diz vontade, mas porque quis com algo mais profundo, mais condizente com a essência de Ser, que é a sobrevivência, a necessidade.
Mudo todo dia e sempre, mas mudo mais vezes que outras, e não por querer, -ressalto novamente -, mas porque assim é o mundo, assim é comigo. Este é, aqui, meu assunto.
O que se renova sendo o mesmo, a história temperada de novo enredo, mas que ao final é sempre igual.
Intensa, lúdica, ideal... Será a imaginação clamando por asas? Será o desassossego da alma aprisionada em afazeres, em marasmos?
Ou apenas os deuses traçando roteiros inesperados, em que, sou eu, todo o elenco?
Preciso mudar agora, já.
Não porque queira, haja vista que em mim há apego no que fica, há o conforto de estar.
Mas porque preciso. Dos passos, dos ventos, das novas cores e ares e de fazer dos mesmos lugares, novidade.
Porque só o que nasce será capaz de renovar em mim a vontade, que ora me enchia de vida, mas que agora se esvai.
Parte de mim, e esvazia-me. O que resta é necessidade.
Não há escolha. Com ou sem coragem, é na proa o lugar de quem guia o barco.
Assim, mudam-se os rumos, pra evitar colisão, mas a paisagem, apesar da tempestade, permanece: Água que rodeia! Mas há céu, há borboletas...

domingo, 23 de agosto de 2009

Abre-se o céu

Abre-se o céu.
O céu volta a abrir-se pra mim.
Posso vislumbrar o azul com o alaranjado. As nuvens são brancas e fofas, com várias caras.
As nuvens, cinzas, afastam-se, perdem força.
O vento sopra vagarosamente, (em cada minuto, um dia), para longe, a tempestade.
O tempo sopra, aos bocados, o cinza das condensadas nuvens. Das nuvens carregadas de tristeza, que se afastam.
Vejo o céu abrindo-se. Raios de sol atravessando e irradiando o planeta de cores, com sua luz verdadeira.
Abre-se o céu.
Novamente, abre-se pra mim.
E, abrindo-se, nele percebo possibilidades antes, mais que improváveis, impossíveis.
Percebo que se estendem para mim as escolhas, (meu eterno dilema), à medida que o vento sopra e as cores primárias interagem, abrindo o céu dos meus sonhos, que antes parecia haver morrido.
Abre-se o céu. Um buraco azul na folha cinza, carregada de nuvens. Nuvens de água. Água de lágrimas salgadas.
Abre-se o céu. E nele há amores.
Nele há cores e passos antes nunca dados, nunca ousados.
E, no azul com o laranja, o que há?
Esperança.