Este imenso vazio não é culpa de ninguém, de nada. Existe sozinho, sem interferência ou pedido. Existe... Por si. Só. Uníssono.
Este vazio abismo, oco, surdo. Este vazio... Vem em mim sem mais, sem assunto, e fica. Sente-se em casa, põe os pés no sofá, fuça na geladeira.
Este vazio se beneficia do veículo que me separa do outro a caminho de casa. A caminho...
Se a cidade fosse menor, eu andava, e podia ser que esse vazio se perdesse, enfim.
Esse vazio às vezes enche.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
AMOR DE FIM DE MUNDO
Vou amar você como quem não quer nada
E viver essas noites à toa
Curtir as madrugadas de boa
E, sem pressa, em insones horas
Deitar meu rosto na sua face
Ignorando a alvorada e o dilema
De amar para sempre em instantes
Medidos de iminente ausência
Vou amar você à sombra
Como quem não tem o que fazer
E comer-lhe a fala e o hálito
Embebidos em beijos
Desconstruir seu argumento
Soprando-lhe o ar de suas próprias narinas
Desfiar fio por fio o raciocínio
Que é a rede onde deita
O tormento da sua partida
O amor que tem pra mim
É bonito demais de se ouvir
E cândido e tenro e triste
O amor que me tem estende-se
Como uma música de Jorge Ben
E eu vejo seus rodopios e medos e saltos
Num balé clássico-dramático
Imprevisível
Vou amar você assim
Como quem dança sobre o abismo
Num dia de tempestade e ventos que assoviam
E a cada passo, negociar com a morte
Mais um pouco de romance
Mais do inesquecível
Vou amar você como quem sabe a data
Em que o mundo encerra o expediente
E deixar que tudo aconteça, ou nada
Até que nos vença o desfecho, o destino
Um dom é desafiar o fim
E agarrar os minutos contados
O sonho impossível
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