Esses passarinhos escuros do meu pensamento,
em revoada, sobre a noite assustadora...
Seu piado voa, voa sem rumo,
apesar do coração que ainda pulsa.
Vejo as pessoas que passam a madrugada,
passam na madrugada,
passam pelas ruas.
Vejo minha vida que passa as esquinas,
passa pelas esquinas,
passam as ternuras.
Vejo os filhos que nunca vou ter
e os pássaros em alvoroço sobre as sombras,
sobre as réstias, as estrelas.
E o amanhã despedaçado
surgindo sem o compasso
do amor.
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Faróis da madrugada
No cruzamento
Entre as margens
As paragens
As ternuras
As imagens
Do passado
Da esperança
Daquele filme sem palavras
Gosto dos faróis na madrugada
Das pessoas cinzas
Na foto em preto e branco
Lá vem as estrelas
Iluminar paisagem
Noite iluminada
É o presente mais doce
Ainda que as manhãs venham mornas sob nossas pernas.
Entre as margens
As paragens
As ternuras
As imagens
Do passado
Da esperança
Daquele filme sem palavras
Gosto dos faróis na madrugada
Das pessoas cinzas
Na foto em preto e branco
Lá vem as estrelas
Iluminar paisagem
Noite iluminada
É o presente mais doce
Ainda que as manhãs venham mornas sob nossas pernas.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Quero mais muito mais
Quero mais muito mais
Quero tudo
Como é que se faz pra ter paz
Neste mundo
Quero o Himalaia
A Índia
O Hawaii
A Indonésia
A China
Você aqui
E que tudo seja como um sonho
Quero dormir acordada
Sentir a madrugada o dia inteiro correndo nas veias
Vem nimim mundo
Quero tudo e mais um pouco
Vem nimim mundo
Da tua orla, o meu cafofo
E que tudo seja como um sonho
Quero nessa estrada
Sentir a madrugada o dia inteiro correndo nas veias
E se acaso o mundo acabar
Eu disfarço e sigo a andar
Não é à toa que se fez assim
Redondo e sem começo nem fim
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
AMOR DE FIM DE MUNDO
Vou amar você como quem não quer nada
E viver essas noites à toa
Curtir as madrugadas de boa
E, sem pressa, em insones horas
Deitar meu rosto na sua face
Ignorando a alvorada e o dilema
De amar para sempre em instantes
Medidos de iminente ausência
Vou amar você à sombra
Como quem não tem o que fazer
E comer-lhe a fala e o hálito
Embebidos em beijos
Desconstruir seu argumento
Soprando-lhe o ar de suas próprias narinas
Desfiar fio por fio o raciocínio
Que é a rede onde deita
O tormento da sua partida
O amor que tem pra mim
É bonito demais de se ouvir
E cândido e tenro e triste
O amor que me tem estende-se
Como uma música de Jorge Ben
E eu vejo seus rodopios e medos e saltos
Num balé clássico-dramático
Imprevisível
Vou amar você assim
Como quem dança sobre o abismo
Num dia de tempestade e ventos que assoviam
E a cada passo, negociar com a morte
Mais um pouco de romance
Mais do inesquecível
Vou amar você como quem sabe a data
Em que o mundo encerra o expediente
E deixar que tudo aconteça, ou nada
Até que nos vença o desfecho, o destino
Um dom é desafiar o fim
E agarrar os minutos contados
O sonho impossível
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Perfume de pai
Fragrância de pasta de barbear
O escuro do amanhã nos meus pensamentos perdidos
A infância irrigava minha barriga prenha
E já me faltava o que eu ainda tinha
E o ar impregnado tinha o cheiro adocicado
De meu pai fazendo a barba às quatro da madrugada
Enquanto isso eu pensava o que seria
Depois de tornar-me arcabouço de outra vida
Pra trás ficava o rumor do aquecedor aberto
Enquanto a espuma deslizava n’água
A pele de meu pai ressurgia, jamais tão clara
Depois daquele dia em que nasceu em mim
Essa nostalgia do que ainda estava
Num perfume de barbear, que era madrugada
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Caixinhas de sapato
Caixinhas de sapato
Para quinquilharias,
Lembranças, cartas de amor,
Fotografias.
Caixinhas de sapato,
Guardadas no armário,
Esquecidas no fundo do sótão,
No assoalho
Adormecida com as velharias
E com o passado.
É, na memória,
A morada da madrugada
Dos dias já passados,
Das noites já dormidas,
Dos amores apagados
Pelo opaco da noite,
Que é tempo escorregadio,
Ventando com os rumores
Que restaram do que passou
E agora é vazio.
Caixinha de sapato
Debaixo das camas,
Enfiadas nas cômodas,
Nas estantes empoeiradas.
Como caixas mágicas,
Com truques e relâmpagos,
Flashes instantâneos
De nostalgia, contidos.
Caixinhas de sapato,
Para o que ficou pra trás,
Mas não pra sempre perdido.
Pra guardar o que há
De importante ou de bonito,
O que não se lembra mais,
O que é só capítulo.
Como um livro,
O filme da vida é fluido,
segue em frente,virando páginas.
E assim deve ser, ainda,
O que passou: Escondido
Numa caixa de sapatos,
Ou num “pen drive” antigo,
Pra ser um dia revisto
Redescoberto com susto,
Alegria ou alívio.
Caixinha de sapato,
Para o que é passado,
Para o que não é mais retrato
Do fato, do agora,
Do sentido.
Pra quê pendurar o passado,
Como um colar ou brinco,
Todo o tempo à mostra
Como um retrato?
Se já foi, se só é história,
Se é parte do relato
E jamais torna?
Caixinhas de sapato
Para as memórias,
Para os jornais,
Para os suspiros.
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