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sábado, 11 de maio de 2013

Um pensamento

Um pensamento voando ao vento sem direção
sem temor, nem tormento, sem tempo, nem chão
um amor, um alento pro peito ardendo em dor
um momento ao meio, recheio de sonho
voa ao ar
voa o mar
voa as primaveras
libertà!
no caminho entre a mente, o sempre e o amanhã
o semblante, a semente, o horizonte em sombra
e os elos de gente, de coisa e de sentimento
que navegam por entre segredos que vão
voam mais
voam quais
voam as quimeras
liberdade.

Lári Germano

domingo, 15 de maio de 2011

Antipoesia


Escrevo-lhe a última poesia
E ela é uma antítese
A tudo que rima ou rimou.
É pra falar da sua cor de papel cinza.
De suas emoções à flor da pele,
Talvez um suor gelado pingando
Dos dedos compridos.
Quais os nomes das sensações que eu vi
No seu rosto lívido?
O mundo gira tanto, isso não é bom?
Você em família. Eu, comigo.
Eu com minha companheira de jornada infalível:
A liberdade. - Não pense que ela não é boa amiga!
Estou livre. E tudo pode me acontecer,
Sem medo, sem culpa, sem impedimento.
Mas, de você, eu senti apenas
O quanto pra sempre o conheceria.
Nada mais.
Você é apenas mais um nome próprio
Em poesias antigas.
E, de sua família, não posso dizer feia ou bonita.
Pra mim nada significa.
Esta é a última poesia que lhe faço.
E ela é uma antipoesia.
É sobre o sentimento que já não existe
E sobre outros que persistem,
Bem menos poéticos,
Bem mais passivos e lúcidos
Enfim amenos:
Amigo. 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Permissão



Mãe, por mais que eu te ame
E por ti queira ser amada
Fica mais impossível tornar-me
Ou deixar de ser, ou aprimorar-me
De maneira que me aprove
Sei que és minha mãe e não é fácil
Admitir uma filha escrava
Da liberdade de sentir e cujas vontades
Trocam como troca o tempo 
 Explico que comigo, Mãe
A exemplo do artista, é assim:
Ora choro de mágoa por não ter ninguém
Ora rio da cara de quem, a meu lado, está
O que me move é a emoção
E ela só resiste em meio fértil, passível
Do exercício de sentir e respirar
Integralmente todos os ares
Tenho orgulho no sofrer
Como depois em maldizer
Quem me inundou de lágrimas
Mas, no fundo, tudo são  personagens
Figuras queridas ou paisagens
Que inspiram meu ser doce assim
como é: adepto das inverdades
Quando nelas houver emoção
Permissão pra  sentir-me e estar
Impregnada de vida
À liberdade, rendida

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Pulsos.

Como posso ser livre? Como posso ser artista? Se não houver respeito sobre minhas decisões e vontades? Sobre meus pensamentos e liberdades? Iniciativas e rumos? Amizades e amores?
Temo não poder agüentar. Pensamento fixo em pulsos. Talvez eu não resista, se o inferno recomeçar.
Tenho tanta dificuldade em tornar-me o que sou, livre e pensadora. Sem amarras. Moral. Religião definida.
Artista. De coração.
Não sei se resisto, se tudo recomeçar... Aquela discriminação e, aquele corte, que recomeçará de onde parou, sendo que já é fundo. Não estancou em mim o sangue daquelas feridas. Apenas escorre mais devagar, em gotinhas.
Mas nada garante que, de uma feita, não torne à hemorragia de antes.
Pulsos cortados.
Uma vida. Estagnada. Vazia. Porque não tem guia, nem dona. Porque segue a esmo, desvalida.
Não a suporto.
Se não há direito à escolha. Ao erro. Ou ao acerto.
Ninguém sabe os limites do outro.
Hoje já posso escrever nas paredes. Não necessariamente em vermelho.
E, talvez, materializar na carne as profundezas da alma partida, dilacerada em dores seguidas.
Penso em minha filha, apenas. De seu caule, sou as raízes.
Mas, no desespero, vejo a cena, como em cinema, em reprise.
Pulsos.
Hemorragia.
É minha vida que grita, no vermelho e no quente do sangue. E, à medida que escorre, o sumo do corpo encontra o ar e o futuro.
A liberdade. No corpo sem prumo. Na alma escorrida em hemácias, em anatomia desnecessária.
Não sei se resisto.
Mas, até no fim, insisto.
Ser como Simone de Beauvoir. Ou como uma Joana D’Arc agnóstica. Mas ser o que quero ser e sou. Sem medo, pena ou boicote.
Não sei se resisto.
Mas não posso mais mentir pra mim.
Não ser o que sou, já é o meu fim, mesmo que eu siga.
Pulsos.
Não sei se resisto.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Regras

Quis afogar meu ser,
Meu liberto ser,
Em regras que em nada garantem,
Para, assim,poder seguir certa,
De que minha parte
Estava feita.
E, se mesmo assim,
Existisse o erro,
Este seria por azar,
Infortúnio, desmerecimento.
Mas a regra não me protege.
Assim como não me protege o medo.
Nem a culpa.
O que aconteceu com meus sonhos de criança?
Com os grandes sonhos
Que eu deveria ter?
Conhecer a Índia
Antes que a novela da moda
Trouxesse essa moda à baila?
Viajar o mundo,
Mergulhar nas praias, mais lindas,
Nos mares mais fundos.
Escrever livros, ser reconhecida,
Admirada?
Viajar mundo afora
E, ao mesmo tempo, poder escolher recolhida,
A minha morada?
O sonho de ser resplandecente,
De ser lembrada.
De ver o sol nascendo
Na madrugada,
Sem hora para nada.
Ter amores, tantos...
(Talvez este sonho eu persiga)...
Por que, afinal,
Queria eu o compromisso
Com alguém
Apenas para distanciar-me
Do romantismo que despertam as paixões?
E que às vezes dói?
Meu sonho de falar
Tantas línguas,
De ser linda, De ser lida...
E de ser eu mesma
Com a vida
Que eu escolhi! E que vivo...
Como vivi,
De cara limpa,
E feliz?
Por que a moral
Faz dos homens
Um todo igual
E impede que haja neles
A realização?
O que houve comigo?
A voz de meu coração
Abafada
Pelos zunidos,
Pelos princípios,
Dos quais não preciso,
Não partilho...?
Sim, porque, sou eu,
Um ser livre
De empecilho
Para a felicidade,
Que me aproxima
E invade sempre que arde
A paixão.
Por mais que doa,
Por mais que voe,
Por mais que seja
Constante ou instante,
Tanto faz.