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quinta-feira, 18 de abril de 2013

SER MÃE

SER MÃE
(Lári Germano)

Ser mãe
É gerar a esperança
É insuflar em uma criança
O dom maior

Ser mãe
É contar luas e dias
É guardar expectativas
Num futuro em que exista

Amar, querer
Zelar, suster
Ser mãe é dar a essência
A alguém que aí vem

É doar sem querer nada em troca
Sem querer nada além de você
Ser mãe é amar e prover
Não ter não, nem porém

Ser mãe
É dormir e acordar
Com pensamento em amar
E formar um ser

Ser mãe
É torcer sem medida
É vibrar por qualquer conquista
Como se fosse a Copa

Ser mãe
É mover um Moinho
Por apenas um pedacinho
De gente em si

Ser mãe
É criar uma centelha
É mover-se em incertezas
E ainda crer

Ser mãe
É trilhar novos caminhos
É deixar que outro sentido venha
Ser mãe é entregar sua vida
Em lugar de outra vida


(Lári Germano)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Seus traços

Seu sorriso largo, de gengiva à mostra. Sua risada em momentos impróprios ou de coisas que a gente normalmente não riria. Seus cabelos finos, de duas cores, que você põe bobs quentes aos domingos, pra encheiar. Suas mãos bonitas, de dedos compridos, artísticos... suas unhas largas, quase sem cutícula.Suas cochas grossas de pele branca. Suas canelas finas a contrastar. O queixo anguloso, os olhos brilhosos, de pretos cílios. Seu jeito de cantar: agudos para o alto! Sua alma entusiasmada de melodias. Seu organismo frágil, sua cabeça que dói, seus dedos que tocam ligeiros as cordas da viola. Sua autoridade intimidante. Sua atividade constante. Sua entrega à família, ao trabalho, a Deus. Sua comida... O cheiro das suas gavetas. Sua voz grave de amanhecer. Sua pele fininha. Sua autenticidade, sua simpatia, sua simplicidade que cativa, seu calor que incentiva, sua vidência de mãe. Sua direção irrepreensível, seu andar devagarinho, seu toque raro, que te valoriza. Suas escolas, seus alunos, suas aulas, suas mestras, suas festas. Suas roupas de ficar em casa, suas novelas. Sua sonequinha da tarde nos braços do seu homem, meu pai. Seu ventre, seu semblante, seu colo: berço e oásis de vales e montanhas, de nuvens brancas e tempestades. Sua coragem e força de acreditar: nela adormeço envolta como nos charutos da infância, sua criança. Prossiga.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Permissão



Mãe, por mais que eu te ame
E por ti queira ser amada
Fica mais impossível tornar-me
Ou deixar de ser, ou aprimorar-me
De maneira que me aprove
Sei que és minha mãe e não é fácil
Admitir uma filha escrava
Da liberdade de sentir e cujas vontades
Trocam como troca o tempo 
 Explico que comigo, Mãe
A exemplo do artista, é assim:
Ora choro de mágoa por não ter ninguém
Ora rio da cara de quem, a meu lado, está
O que me move é a emoção
E ela só resiste em meio fértil, passível
Do exercício de sentir e respirar
Integralmente todos os ares
Tenho orgulho no sofrer
Como depois em maldizer
Quem me inundou de lágrimas
Mas, no fundo, tudo são  personagens
Figuras queridas ou paisagens
Que inspiram meu ser doce assim
como é: adepto das inverdades
Quando nelas houver emoção
Permissão pra  sentir-me e estar
Impregnada de vida
À liberdade, rendida

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Que saibam...

Vou escrever para meus pais como nunca escrevi. Para que minhas palavras sejam meu retrato e para que, com poucas delas, eles possam partilhar de minha intimidade, tornando-se meus amigos.
Primeiro, quero dizer-lhes que os amo.
Que quando era pequena, achava meu pai o homem mais lindo do mundo.
Que precisei tanto da minha mãe, quando sofri minha primeira dor de amor, e fiquei muito feliz, porque ela estava ali.
Quero contar que já fui várias meninas. Que vivi muitas coisas, tenho tantas histórias.
Queria dizer que recordo feliz o aconchego da cama de casal cheia de gente, aos domingos, com eles, com meu irmão e comigo.
Que gosto de lembrar dos dois a beijarem-se, pela manhã.
Quero que eles saibam que sinto falta dos meus avós.
Que meu pai saiba que até hoje me emociono ao lembrar o cheiro de sua pasta de barbear de madrugada...
E , minha mãe, que saiba que eu tenho medo que ela se vá. Que, quando criança, e ainda hoje, rezo em silêncio quando ela tem dores de estômago e de cabeça.
Quero que meus pais saibam que eu tenho medo de tudo... tudo!
E também que eu gostaria de cuidar deles, quando ficarem velhinhos.
Quero que minha mãe saiba que me orgulho dela, mas que também a quero feliz, com saúde.
Que ela saiba que é importante. Pra mim, pra todo mundo...
Quero que meus pais saibam que sou tão fraca... Mas sou feliz também.
Que às vezes sou amarga, mas sou irônica e perseverante.
E sou uma revolucionária.
Cheia de coragem.
E de medo, medo, medo...