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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Uma mãe dessas com quem se pode chorar

Eu queria chorar no ombro de alguém agora. Chorar até ficar oca. Eu queria uma mãe dessas com quem a gente pudesse chorar... Mas a dor que eu sinto é também a ausência, o desencaixe, este sentimento inevitável de solidão que só quem não tem com quem chorar, conhece.
Eu fico sentada entre as pessoas, entre desconhecidos, à procura de algum consolo. Mas esta cidade me é tão familiar que nem a multidão me reduz ao mínimo. Sinto como se sempre me soubesse parte dela e como se cada um me acolhesse, até no alheamento.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Tristeza de fim de ano

Eu carrego uma tristeza que aumenta com o passar dos meses do ano.
O molhado dos seus olhos me volta, com cândida insistência.
Cada coisa que eu aprendo, cada novo papel que represento, me alimenta esta tristeza, saudosa de um tempo ingênuo.
Esta tristeza que eu carrego não pesa, é como pena. Mas de vez em quando escapa uma no ar, voando ao vento.
E quando chega dezembro, ela assovia com lábios gordos no meu ouvido tristonho.
Esta tristeza de um tempo em que ser presa parecia uma maneira de driblar a solidão.
Mas hoje, neste chão de algodão, tão instável e delicado, místico e nostálgico, que anuncia o verão, sondam-me seus olhos cansados, faltam-me seus braços ao redor.
Prendo-me na liberdade e no amor pulverizado pelo ar de um lugar pra onde eu fui empurrada por suas mãos covardes.
Mas já não me abrigo em claustros. Meu ser cavalga pradarias, transcende os limites da moral.
E ama sem destino ou ilusão. Um amor quadriculado de minúsculos e infinitos quadrados vazios.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vértice


O sol me salva, sua luz, seu calor. Posso ficar aqui estirada horas e horas. Sol de junho, ainda melhor. O sal me lava. E carrega minhas preces, e abençoa as dádivas que permanecem. A brisa me purifica, venta dos meus ouvidos os pensamentos ruins, o pessimismo. E a solidão me engrandece, o silêncio enaltece o valor das palavras e o brilho de cada ser que se aproxima. As poucas palavras ditas no recolhimento são qual tesouro e, por tão valiosas, requerem o cuidado de um artesão moldando sua obra. Pequenos e preciosos contatos, fotografados pro infinito. Só nas agruras do silêncio, o vértice com o outro é tão bonito.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Statu quo"

O que será o barulho?
O choro que não cessa?
A tristeza, a consciência
Da solidão persistente?
Por que o desequilíbrio que humilha?
Que afasta a linha,
O eixo ideário?
Algo em mim, em ti,
Nos afasta enquanto nos une.
Será o medo, a posse,
O ideal de controle?
O pai e o filho?
O grito ou o choro?
A predileção à tristeza
Que à indiferença?
Ou a procura da indiferença,
Mais garantida fonte de tristeza?
Por quê?
Talvez só a ânsia de restabelecer
O “statu quo ante”
De apagar a discórdia,
Dissolver da memória
A inglória confusão.
O sonho perdido num instante
E que jamais torna.

domingo, 18 de outubro de 2009

SOLIDÃO

Minhas gargalhadas continuam. Mas a essência do meu ser volta a ser água. Sinto-me uma ilha ao avesso. Mergulhada no choro, isolada do mundo. Não acho que as coisas sejam capazes de regressar ao que eram antes desta dor. Desta solidão. Mas, se esta solidão sempre esteve aí de alguma forma, não terei eu apenas constatado a dor? Algo se quebrou em mim. Sou só. Não há como remediar esta dor. Este cristal espatifado em mil e quinhentos cacos. Colados como num quebra-cabeça, tem aparência de intactos. Mas não servem pra nada. Não suportam o movimento pinçado dos dedos e nem o conteúdo líquido dentro. Solidão. Conseqüência e causa de uma dor que não passa. Que depois de instalada, não acaba. Nunca mais.

domingo, 9 de março de 2008

Quem mente, afinal?

Sentar no meio da multidão
Solitária
Com o coração na mão e a mente voando
Arbitrária da vontade
No ambiente, um som invade
Ocupando o vazio do peito
E tudo continua tudo anda
Segue o pleito...
Mesmo com este sentimento de solidão
É só a gente,
O coração só mente, mente,
Pra gente acreditar
Que há alguém que ele possa povoar
Enchendo-o de recheio
Mente o coração
Vulcão fervendo quente
No inverno da solidão
No meio da multidão, tudo é frio,
É solitário, sombrio
É só a gente, se lembre!
A gente pra gente.
E que se agüentem as gentes
Que crêem no coração
Que só mente, mente, mente...