Mostrando postagens com marcador coração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coração. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ê mundão véio

ê mundão véio!
eita vida besta, meu Deus!
tanta gente que vem, vai, canta
tanta gente que dança, que cai

eita mundão besta
vida tensa, intensa
em trilho que vem e vai
gente que entra e sai

lembrança que alimenta o pensamento
bem querer, mal querer
coração de Che Guevara
conspiração do viver/morrer

mundo véio de guerra
cheiro de terra
vento de outras eras
tempos de não ser

eita mundão, me deixa
numa brisa qualquer, perene
com cheiro de erva
cor de entardecer.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A morte é muito viva


Alguém apertando meu coração
com um enforcador
um fórceps
eu mal respiro
meu útero dói
a morte se aproxima
parece ter aceitado meu convite
e vem macia no meu corpo
pequenas pontadas no meu baixo ventre
a partida estaciona na minha soleira
e eu me deito nela
já não existe aquela força, aquele riso
aquela maldita no meu coração
foda-se a esperança
o nada é muito mais doce e pacífico
tem a cor mais bonita
a viscosidade lânguida
do enigma

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Coração camuflado

Eu invejo os corações que não ardem, aqueles corações serenos e estáveis. Aqueles corações que se contentam em ficar, ficar, ficar, porque sabem que o ficar é sempre tão passageiro. 
Mas meu coração não é assim. Meu coração é inflamável e requer adicional de periculosidade. Incendeia tudo - a mim primeiro.
Por isso ando por aí, craquelê de cinzas, vulnerável ao primeiro sopro. Já queimei inteira. 
Então fique longe, não se aproxime. Você vai querer que eu entenda, vai querer que eu reflita, que eu esteja. Mas eu... eu sou apenas os restos da fogueira.
E tenha cuidado! As cinzas têm calor, ainda queimam, além de poder sujá-lo inteiro com a fuligem da minha resistência.
Você pode sentir-se na trincheira, com o rosto enegrecido, camuflado, se você disser e se você tentar e se você quiser e se você teimar e se você soprar.
E tudo virá contra si: uma poeira quente e intensa, capaz de sujar, de queimar, de entupir seus ouvidos e olhos, os seus buracos corpóreos.
Jamais de perdoar, entender, esperar.
Sinto muito. Eu queria ter um coração em paz. Mas o que ficou em mim são só vestígios e pó. Só as brasas, só as chagas, nenhuma dó.

sábado, 8 de maio de 2010

Meu coração não é de borracha

Meu coração não é de borracha
Às vezes ele se enche de água
É só saudade
Não há, nas fibras cárdias,
Tamanha elasticidade
Ele se estica e se esforça
Mas não comporta
Não se amolda tal qual
Às temporadas várias
Que vêm e vão
Ele chora
É só saudade
Passa o dia quase normal
Mas com a noite inunda
Enche-se da mágoa contida
E não mais suporta
Esvazia-se em lágrimas
E assim retoma
O tamanho natural
Mas não é nada
É só água
A Saudade que escorre
É só pra lembrar
Que a estrutura é de carne
Que aqui nada se amolda
Conforme as chuvas
Que a batida é viva
Que o órgão é fibra
Não é borracha
É visceral.

domingo, 9 de março de 2008

Quem mente, afinal?

Sentar no meio da multidão
Solitária
Com o coração na mão e a mente voando
Arbitrária da vontade
No ambiente, um som invade
Ocupando o vazio do peito
E tudo continua tudo anda
Segue o pleito...
Mesmo com este sentimento de solidão
É só a gente,
O coração só mente, mente,
Pra gente acreditar
Que há alguém que ele possa povoar
Enchendo-o de recheio
Mente o coração
Vulcão fervendo quente
No inverno da solidão
No meio da multidão, tudo é frio,
É solitário, sombrio
É só a gente, se lembre!
A gente pra gente.
E que se agüentem as gentes
Que crêem no coração
Que só mente, mente, mente...