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terça-feira, 18 de setembro de 2012
A morte é muito viva
Alguém apertando meu coração
com um enforcador
um fórceps
eu mal respiro
meu útero dói
a morte se aproxima
parece ter aceitado meu convite
e vem macia no meu corpo
pequenas pontadas no meu baixo ventre
a partida estaciona na minha soleira
e eu me deito nela
já não existe aquela força, aquele riso
aquela maldita no meu coração
foda-se a esperança
o nada é muito mais doce e pacífico
tem a cor mais bonita
a viscosidade lânguida
do enigma
Noturnidade
Eu odeio violetas, margaridas,camélias, hortensias.
Eu odeio flores nas pessoas. Quando eu morrer, quero estar nua.
Vestir apenas minha pele.
Pelo menos uma vez na vida, autêntica.
Não quero o perfume da vida no meu cadáver.
Quero finalmente a morte, só a morte em mim. Unânime, absoluta.
Não me façam sorrir, não me cubram de qualquer coisa, das suas lágrimas vis, da sua mentira.
Deixem as flores em paz.
Joguem-me ao mar, pelada. Só a água salgada e as ondas honrarão o meu desejo: nadar em pêlo para o fundo, para o que há de mais noturno.
Sem pensar em volta.
Postado por
Lari Germano
às
21:49
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segunda-feira, 24 de março de 2008
Romantismo literário, covarde, arbitrário
Eu quero ir pra casa...
Me leva...
Me arrasta...
Me pega.
Sinto tanta dor
Desta que dói no peito
Tão forte, tão dentro.
Sinto tudo mudando de cor
E a coragem faltando...
Não tenho nada que dure,
Nada que valha,
Nada que eu queira,
A não ser a navalha.
Me leva pra casa,
Me carrega no colo,
Me invade
Com essa covarde coragem
Que falta pro fim dos meus dias,
Para a minha morte.
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