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terça-feira, 18 de setembro de 2012
Noturnidade
Eu odeio violetas, margaridas,camélias, hortensias.
Eu odeio flores nas pessoas. Quando eu morrer, quero estar nua.
Vestir apenas minha pele.
Pelo menos uma vez na vida, autêntica.
Não quero o perfume da vida no meu cadáver.
Quero finalmente a morte, só a morte em mim. Unânime, absoluta.
Não me façam sorrir, não me cubram de qualquer coisa, das suas lágrimas vis, da sua mentira.
Deixem as flores em paz.
Joguem-me ao mar, pelada. Só a água salgada e as ondas honrarão o meu desejo: nadar em pêlo para o fundo, para o que há de mais noturno.
Sem pensar em volta.
Postado por
Lari Germano
às
21:49
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
Minha flor.
(Danilo Lopes Almeida)
Não sou flor. Nunca quis ser uma. Vivo para os outros. E preciso do toque. Do beijo. Do abraço. Do cheiro. Do contato. Sou gente. Sou mulher. Sou quente. E, mesmo triste, carente. Eternamente carente do outro. Do abraço.Da compreensão. Do diálogo. Da cooperação. Da aprovação. Sou humana. E penso. E desejo. E quero. E toco. Meu alcance é o toque. Este é o meu foco. É o que me redime a mim mesma. A pele que me veste, maior "órgão" de meu corpo, também é o que me governa. Não é o coração que me rege. Mas a pele que o ordena. E é assim. Não sou flor. "As flores vivem pra si. E pros passarinhos. E pro vento." Eu vivo pra ti. E pro amor mais platônico, ou mais imediato. Pro contato mais tímido, ou mais acalorado. Gosto de sussurros. E carícias. De segredos, promessas e súplicas. Não sou flor. Sou artista.
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