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terça-feira, 3 de maio de 2011

Amor platônico


Há quem diga que a paixão
É a emoção do toque, a coisa da carne
Há vezes em que somente é sensação
Mas há vezes em que transcende
A realidade e prescinde do choque
É autossuficiente, não requer nada
A não ser a presença do ser
Que mera e simplesmente
Na sua existência, basta
E tudo ao redor se torna inaudível
Ininteligível, impraticável
Desnecessário, incongruente
Porque faíscas se espalham
E o corpo quer o diálogo
Que verte dos inconscientes
E essa é a magia admirável
O ingrediente, único necessário
Pro encontro cármico de dois seres
Platonicamente apaixonados

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Minha flor.

(Danilo Lopes Almeida)

Não sou flor. Nunca quis ser uma. Vivo para os outros. E preciso do toque. Do beijo. Do abraço. Do cheiro. Do contato. Sou gente. Sou mulher. Sou quente. E, mesmo triste, carente. Eternamente carente do outro. Do abraço.Da compreensão. Do diálogo. Da cooperação. Da aprovação. Sou humana. E penso. E desejo. E quero. E toco. Meu alcance é o toque. Este é o meu foco. É o que me redime a mim mesma. A pele que me veste, maior "órgão" de meu corpo, também é o que me governa. Não é o coração que me rege. Mas a pele que o ordena. E é assim. Não sou flor. "As flores vivem pra si. E pros passarinhos. E pro vento." Eu vivo pra ti. E pro amor mais platônico, ou mais imediato. Pro contato mais tímido, ou mais acalorado. Gosto de sussurros. E carícias. De segredos, promessas e súplicas. Não sou flor. Sou artista.