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segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Statu quo"

O que será o barulho?
O choro que não cessa?
A tristeza, a consciência
Da solidão persistente?
Por que o desequilíbrio que humilha?
Que afasta a linha,
O eixo ideário?
Algo em mim, em ti,
Nos afasta enquanto nos une.
Será o medo, a posse,
O ideal de controle?
O pai e o filho?
O grito ou o choro?
A predileção à tristeza
Que à indiferença?
Ou a procura da indiferença,
Mais garantida fonte de tristeza?
Por quê?
Talvez só a ânsia de restabelecer
O “statu quo ante”
De apagar a discórdia,
Dissolver da memória
A inglória confusão.
O sonho perdido num instante
E que jamais torna.

domingo, 18 de outubro de 2009

SOLIDÃO

Minhas gargalhadas continuam. Mas a essência do meu ser volta a ser água. Sinto-me uma ilha ao avesso. Mergulhada no choro, isolada do mundo. Não acho que as coisas sejam capazes de regressar ao que eram antes desta dor. Desta solidão. Mas, se esta solidão sempre esteve aí de alguma forma, não terei eu apenas constatado a dor? Algo se quebrou em mim. Sou só. Não há como remediar esta dor. Este cristal espatifado em mil e quinhentos cacos. Colados como num quebra-cabeça, tem aparência de intactos. Mas não servem pra nada. Não suportam o movimento pinçado dos dedos e nem o conteúdo líquido dentro. Solidão. Conseqüência e causa de uma dor que não passa. Que depois de instalada, não acaba. Nunca mais.