Meu coração não pára de bater, não sei o que acontece. Isso me aflige, esse dom de prever, de sentir. A permeabilidade que alguns seres me faz experimentar. Gostaria de saber exatamente o que é, mas não sei. Só sei que posso sentir quando há angústia, quando há embate, luta. Quando há um conflito mental e um pensamento fixo em mim. Estou assim, obcecada, apaixonada. Possuída? Que loucura, essa confusão corpórea! Às vezes, sinto-lhe tão perto, mais próximo que se em carne viva estivesse. E quando me deixa, me deixa também esta agonia. Mas o que fica é ainda pior: a sua partida, a distância. Uma barreira entre nossas almas, o dia todo vizinhas. E fico triste, preciso chorar, pra esvaziar o que ficou sem saída, preso nesta vasilha em que me transformei desde aquele olhar. Gostaria de esquecê-lo. Gostaria? Não tenho forças, sinto-me rendida a forças muito maiores que as minhas. De repente, o mundo me premia com paz e novos ares, novas pessoas, cenas doces e doces palavras. Mas, quando a rotina torna, tornam estas batidas incessantes e fico à beira do abismo, a um passo de enlouquecer. Já nem sei mais o que é saudade, vivo nela o tempo todo e ela está me engolindo. E por mais que eu pense e repense, ainda não posso concluir nada ao contrário do início. Se o amor arrebatou meu coração desta maneira insana, não vou remar contra. Não que eu não queira! Quando sinto que nada disso é real, mas pura imaginação e viagem minha, tento, tento e tento, com o mais contundente que há em mim, esquecê-lo. Mas a luta se estende por tanto tempo que me vence. Canso-me da luta insistente e do pensamento que não cessa e me ajoelho ao chão, braços estendidos pro amor, como diria Djavan: o Samurai. Que outro nome pode ter a alegria que se sente simplesmente por que alguém existe, senão amor? Contudo, preciso esquecê-lo, portanto, esqueça-me! Não conseguirei acabar com isso se você continuar a pensar em mim noite e dia. Posso sentir! Entre mim e ti, desde que o sentimento se instalou sem permissão, não há divisa. Mas se não quiser esquecer-me, então venha. Renda-se comigo e viva o que estava escrito que seria o nosso amor. Calico skies. Amo demais odiar amá-lo assim. Por quê?
terça-feira, 28 de junho de 2011
Apelo
Meu coração não pára de bater, não sei o que acontece. Isso me aflige, esse dom de prever, de sentir. A permeabilidade que alguns seres me faz experimentar. Gostaria de saber exatamente o que é, mas não sei. Só sei que posso sentir quando há angústia, quando há embate, luta. Quando há um conflito mental e um pensamento fixo em mim. Estou assim, obcecada, apaixonada. Possuída? Que loucura, essa confusão corpórea! Às vezes, sinto-lhe tão perto, mais próximo que se em carne viva estivesse. E quando me deixa, me deixa também esta agonia. Mas o que fica é ainda pior: a sua partida, a distância. Uma barreira entre nossas almas, o dia todo vizinhas. E fico triste, preciso chorar, pra esvaziar o que ficou sem saída, preso nesta vasilha em que me transformei desde aquele olhar. Gostaria de esquecê-lo. Gostaria? Não tenho forças, sinto-me rendida a forças muito maiores que as minhas. De repente, o mundo me premia com paz e novos ares, novas pessoas, cenas doces e doces palavras. Mas, quando a rotina torna, tornam estas batidas incessantes e fico à beira do abismo, a um passo de enlouquecer. Já nem sei mais o que é saudade, vivo nela o tempo todo e ela está me engolindo. E por mais que eu pense e repense, ainda não posso concluir nada ao contrário do início. Se o amor arrebatou meu coração desta maneira insana, não vou remar contra. Não que eu não queira! Quando sinto que nada disso é real, mas pura imaginação e viagem minha, tento, tento e tento, com o mais contundente que há em mim, esquecê-lo. Mas a luta se estende por tanto tempo que me vence. Canso-me da luta insistente e do pensamento que não cessa e me ajoelho ao chão, braços estendidos pro amor, como diria Djavan: o Samurai. Que outro nome pode ter a alegria que se sente simplesmente por que alguém existe, senão amor? Contudo, preciso esquecê-lo, portanto, esqueça-me! Não conseguirei acabar com isso se você continuar a pensar em mim noite e dia. Posso sentir! Entre mim e ti, desde que o sentimento se instalou sem permissão, não há divisa. Mas se não quiser esquecer-me, então venha. Renda-se comigo e viva o que estava escrito que seria o nosso amor. Calico skies. Amo demais odiar amá-lo assim. Por quê?
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Bicho estranho
Extensa como uma arraia
As nadadeiras abertas
Sou um bicho de praia
O sol no pensamento
Só barulho de mar, já me recompensa
Uma criatura exótica, olhando por fora
Quanto mais por dentro
Caraminholas “de la liberté” cavucando terreno
Que não é terra firme, mas areia
Muda com o vento, está vivo
Mas nada é mais surpreendente que uma duna
Imponente, resplandecente
Mudo de lugar e minha juba baila e gira
Como um girassol
Minha sobrinha mira, com sua ainda meia-vista
E me identifica pelo aparato ao redor
Dourado nas beiradas
Um bicho exótico
De caraminholas expostas
E índole eminentemente solar
“Estoy aquí”
Mas não falo francês, nem castelhano
Como um bicho estranho que se preze
Falo meu próprio idioma.
Vértice
O sol me salva, sua luz, seu calor. Posso ficar aqui estirada horas e horas. Sol de junho, ainda melhor. O sal me lava. E carrega minhas preces, e abençoa as dádivas que permanecem. A brisa me purifica, venta dos meus ouvidos os pensamentos ruins, o pessimismo. E a solidão me engrandece, o silêncio enaltece o valor das palavras e o brilho de cada ser que se aproxima. As poucas palavras ditas no recolhimento são qual tesouro e, por tão valiosas, requerem o cuidado de um artesão moldando sua obra. Pequenos e preciosos contatos, fotografados pro infinito. Só nas agruras do silêncio, o vértice com o outro é tão bonito.
domingo, 26 de junho de 2011
Apego
O amor não admite intervalo.
Depois que a paixão por outro alguém atravessa a relação como um cometa,
Nada mais haverá para a frente, a não ser apego.
Se a paixão atravessa,
Marca com sua linha invisível os novos hemisférios, como um trópico.
E divide em dois, mesmo o indivíduo que não quer ver
E permanece no hemisfério do passado,
Tentando reconstruir o vidro.
Mas não existe amor quebrado.
Não existe amor sem integridade.
O que resta do amor incendiado pela chama de terceira pessoa
Não passa de cinza,
Vã tentativa de restaurar o objeto partido.
Só apego.
O mistério maior é que o evento trágico possa ser o atalho,
A ponte de acesso mais fácil para o inevitável.
Há que se entender um pouco da vida pra saber que alguns enigmas não são desvendados de imediato.
E que a paixão é uma espécie de estrela.
É o guia mais sensato desta vida,
Que alcançamos tão pouco, pudera!
Se agarramo-nos ao oco...
Ignorar o trópico que divide os hemisférios do passado e do futuro
Não devolve ao globo o estado anterior.
O amor não admite intervalo.
Retomá-lo com falha,
Continuar apesar de acesas as fagulhas do cometa,
Não é proeza.
Só apego.
(A capacidade de enganar o outro, me assusta. Mas é a capacidade de se trair que me apavora. Este é o compromisso da inverdade, com o qual não compactuo. Não invejo o pseudo-amor que passa por cima de tudo, ignora os instintos. A quem o queira, que faça dele bom proveito.)
Postado por
Lari Germano
às
23:11
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Local: Santo André-SP
Ubatuba - São Paulo, Brasil
segunda-feira, 20 de junho de 2011
QUAL SERÁ O FINAL?
Qual será o final? Não se sabe. Ninguém sabe. O final é uma coisa redonda, quando alcança o ponto inicial, recomeça, e ninguém sabe quando. Se a vida de hoje é paciência, talvez no fim valha a pena. Talvez, ao chegar lá, no ápice da história, todos os detalhes escusos se entrelacem, tão bem costurados que tudo, mas tudo mesmo, tenha valido a pena. E faça sentido. Mesmo que agora pareça uma grande armadilha do destino. Sigo jogando. Sem saber o fim, aposto que, no auge do enredo, haverá um motivo a justificar tudo. Qual será o final? Não se sabe. Ninguém sabe. Sigo escolhendo as cenas, editando o filme da vida conforme o coração. E assim, não sei se o fim será feliz ou triste, mas, sob a luz do sentimento, de qualquer maneira haverá uma maravilhosa história de amor pra ser contada. Pra ser contada pros amigos, pros desconhecidos, pras crianças. Sigo apostando. Porque desencontro de amor é uma coisa romântica, mas todos preferem a esperança que só o final feliz inspira.
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