terça-feira, 20 de agosto de 2013

Lua morena

Lua
Vem brilhar
Candeia do ar
Lustre de Iemanjá
Sobre o mar
No veludo do firmamento
Entre estrelas, sonhos, tormentos
A noite é seu reino
Lua morena
Seu lugar
Entre estrelas brilhar
O luar
Luz de as mãos dar
De os beijos regar
Lua morena
Lua, lua, luá
Lua beleza
Daqui debaixo te olhar
Lua morena que eu vejo embaçar
Sem contornos ao menos
Ó luá
Meu desejo
Em Ti pendurar
Meia-volta
Volta e meia
Embalar

Lua morena
Lua, lua, luá
Lua serena
Lua, lua, luá
Lua do firmamento
Vem luar, luar.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Em paz

A paz... uma desconhecida.
Eu quero morrer em paz. Porque em vida...
O corpo fervilha, o coração pulsa, os olhos piscam, os punhos: em punho, em riste.
Eu não quero morrer.
(Eu só quero morrer).
Quero correr por entre as trevas do ontem. Sumir nas entranhas do desconhecido.

Eu não sei viver em paz. As paixões me castigam: o corpo, este inimigo da paz - este voraz combatente da tranquilidade e da boa consciência - treme. O suor pinga.
A cabeça lateja mais numa veia. De tal maneira que, hora ou outra, pode bem explodir.
Massageie minhas têmporas com força.
Não é suficiente um toque ou um carinho. Não. Mastigue com dedos frios esta veia latente, latindo na minha mente como um cachorro raivoso, uma cadela no cio.

Agora torça meus cabelos entre suas mãos, puxando um pouco o couro cabeludo. Estique minhas ideias. Dê a elas um pouco de sentido, uma justeza qualquer, nem que sejam os fios comprimidos neste puxão quase agressivo.
Não consigo ter paz. Não consigo.
Penso no amanhã com furor e mágoa.
Queria só o agora. O agora para sempre

Ê mundão véio

ê mundão véio!
eita vida besta, meu Deus!
tanta gente que vem, vai, canta
tanta gente que dança, que cai

eita mundão besta
vida tensa, intensa
em trilho que vem e vai
gente que entra e sai

lembrança que alimenta o pensamento
bem querer, mal querer
coração de Che Guevara
conspiração do viver/morrer

mundo véio de guerra
cheiro de terra
vento de outras eras
tempos de não ser

eita mundão, me deixa
numa brisa qualquer, perene
com cheiro de erva
cor de entardecer.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Por um momento

Por um momento, o amor é pleno
E tudo em mim é silêncio
Tudo em volta é sereno
- por um momento - breve nevoeiro
Tudo em nós faz sentido
Não há medos, meio-termos
Mas é um momento apenas
Um instante, um delírio
Por um momento, você me olha
Você me alcança
Por um momento, esta dança
No pôr do sol da esperança
E este beijo
Entre as lágrimas da chuva
É completo
E tudo em paz é veneno
Tudo ardendo é silêncio
Todo segredo é sarcasmo
Todo amor é pequeno
Por um momento, você me olha
Por dentro.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Essas linhas

Há duas linhas embaixo dos meus olhos. Duas linhas delicadas, paralelas. Em algum ponto elas tocam uma na outra, como rios que correm para o mar. Elas olham pra mim, dos meus próprios olhos, e me dizem: lá se foi quase meia estrada. Duas linhas finas e curtas. Duas linhas tênues, mudas – não precisam de palavra alguma pra dar seu recado. Há duas linhas embaixo dos meus olhos. Duas intrusas, travessas, duas meliantes, melindrosas, obtusas. Linhas duras sob pálpebras tenras que veem como aos seis anos de idade, com imensa ternura, o vão da existência.