quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Abri os olhos



Abri os olhos
Árvores desfolhadas
Um safári de leões
Um rio na minha casa
Olhinhos mouros de uma velha senhora
Abri os olhos
O coração partido como num romance acabado
Uma dor de despedida
Línguas estranhas e personagens
Nunca dantes vistos, ouvidos, tocados
Abri os olhos
Tetos angulosos, próximos das testas
Trens dentro do horário
Pães e queijos delicados
Vinhos que não choram
Abri os olhos
Revi você
Seus traços, seus beijos, seus olhos
Havia me esquecido de que eram amarelecidos
Por vezes esverdeados
Abri os olhos
Tudo é frio e as malhas são baratas
As portas estão trancadas??
Minha história está do outro lado
Mas é aqui que eu moro há três meses
Ou há três décadas?? - quem sabe?
Abri os olhos
A Europa se mostra
Por enquanto em casas sobrepostas e ruas largas
Por enquanto em números e horas
Por enquanto e só enquanto demoro
A cortar cordas e, de verdade
Abrir os olhos

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