domingo, 27 de janeiro de 2013

Ai ai, escrever


Ai ai escrever
Trabalhar doer
Vai lágrima
Alma que sai
Respira
O infinito around
E o quê mais?
Você quer ficar
Deixar
Sumir
Mas quê?
Voar
Sentir
Ser
O infinito e tudo o mais
O dia
A noite
A praia
A vida
Música que roda e gira
Molda suas ondas no ar
-Sem gíria, s'il vous plaît-
Não por nada
Palavras eruditas
Também tem seu lugar
E a ópera?
Uma ponte antiga
Trilha trilha...
Folhas amarelas pelo chão
Mira
Quem sou eu?
Pra que sou?
Pensa
Torce
Fixa:
Ai ai
Sina.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Algu'a coisinha


Escrever algu’a coisinha
Pra lembrar do interior
E do cantado da língua
Dobrada de meu avô

Daquela terra ardida
De gente coberta de pó
De minha vó pequeninha
Pitando fumo de corda

Fazer u’a canção comezinha
Sem pretensão, nem discórdia
Fazer u’a simples cantiga
Só pra manter viva a memória

A terra e o chão vermelho
Paredes verdes de tábua
O cheiro de galinheiro
Coisa pra quem é de roça

A cana-de-açúcar queimada
Atravessando as telhas
Cobrindo o assoalho inteiro
Qual asas de pássaro preto

Escrever algu’a coisinha
Pra florescer aqui dentro
Coisas que não se perdem
Nem sob asfalto e concreto.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Quero mais muito mais


Quero mais muito mais
Quero tudo
Como é que se faz pra ter paz
Neste mundo
Quero o Himalaia
A Índia
O Hawaii
A Indonésia
A China
Você aqui
E que tudo seja como um sonho
Quero dormir acordada
Sentir a madrugada o dia inteiro correndo nas veias
Vem nimim mundo
Quero tudo e mais um pouco
Vem nimim mundo
Da tua orla, o meu cafofo
E que tudo seja como um sonho
Quero nessa estrada
Sentir a madrugada o dia inteiro correndo nas veias
E se acaso o mundo acabar
Eu disfarço e sigo a andar
Não é à toa que se fez assim
Redondo e sem começo nem fim

Quero mais muito mais
Quero tudo
Como é que se faz pra ter paz
Neste mundo
Quero o Himalaia
A Índia
O Hawaii
A Indonésia
A China
Você aqui
E que tudo seja como um sonho
Quero dormir acordada
Sentir a madrugada o dia inteiro correndo nas veias
Vem nimim mundo
Quero tudo e mais um pouco
Vem nimim mundo
Da tua orla, o meu cafofo
E que tudo seja como um sonho
Quero nessa estrada
Sentir a madrugada o dia inteiro correndo nas veias
E se acaso o mundo acabar
Eu disfarço e sigo a andar
Não é à toa que se fez assim
Redondo e sem começo nem fim

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Vazio

Este imenso vazio não é culpa de ninguém, de nada. Existe sozinho, sem interferência ou pedido. Existe... Por si. Só. Uníssono.
Este vazio abismo, oco, surdo. Este vazio... Vem em mim sem mais, sem assunto, e fica. Sente-se em casa, põe os pés no sofá, fuça na geladeira.
Este vazio se beneficia do veículo que me separa do outro a caminho de casa. A caminho...
Se a cidade fosse menor, eu andava, e podia ser que esse vazio se perdesse, enfim.
Esse vazio às vezes enche.