Seu sorriso largo, de gengiva à mostra. Sua risada em momentos impróprios ou de coisas que a gente normalmente não riria. Seus cabelos finos, de duas cores, que você põe bobs quentes aos domingos, pra encheiar. Suas mãos bonitas, de dedos compridos, artísticos... suas unhas largas, quase sem cutícula.Suas cochas grossas de pele branca. Suas canelas finas a contrastar. O queixo anguloso, os olhos brilhosos, de pretos cílios. Seu jeito de cantar: agudos para o alto! Sua alma entusiasmada de melodias. Seu organismo frágil, sua cabeça que dói, seus dedos que tocam ligeiros as cordas da viola. Sua autoridade intimidante. Sua atividade constante. Sua entrega à família, ao trabalho, a Deus. Sua comida... O cheiro das suas gavetas. Sua voz grave de amanhecer. Sua pele fininha. Sua autenticidade, sua simpatia, sua simplicidade que cativa, seu calor que incentiva, sua vidência de mãe. Sua direção irrepreensível, seu andar devagarinho, seu toque raro, que te valoriza. Suas escolas, seus alunos, suas aulas, suas mestras, suas festas. Suas roupas de ficar em casa, suas novelas. Sua sonequinha da tarde nos braços do seu homem, meu pai. Seu ventre, seu semblante, seu colo: berço e oásis de vales e montanhas, de nuvens brancas e tempestades. Sua coragem e força de acreditar: nela adormeço envolta como nos charutos da infância, sua criança. Prossiga.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
DOCE NA VIDRAÇA
Um sonho em que não se acredita
Às vezes vinga, mas jamais torna
A ser bonito como a cobiça fora de hora
De um doce, por uma criança
Pedras e areia sob os sapatos
Pés doloridos de escalada
Arcos pendurados sobre a cabeça
E meninos escondidos sob togas
Pretas da maturidade que brota
Entre as paredes da universidade
Olho o horizonte e vejo casas
Que se sobrepõem nos morros
Umas sobre as outras, em alvoroço
E um laranja que se deita sobre azuis
Tão insossos quanto o gosto
Da língua cortada de fiapos
Pelas frutas típicas penduradas
Nas árvores pequenas à beira da estrada
Continuo olhando a imagem sem tocá-la
Como atrás de uma lente fotográfica
Como o doce por detrás da vidraça
No bar da infância recriada
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Um Mondego de saudade
As pontas dos meus dedos estão rígidas e cascudas
Uma aspereza encruece minha pele das mãos e do rosto
A frieza é densa em névoa e me apaga
A face entre semblantes avessos a risada
O mundo é outro e as estradas fazem-se cegas e surdas
Às minhas queixas acerca de sons e letras mudas
Que faltam ao vocabulário
Pro meu álbum de figuras e dramas
Muitos espaços e nuvens
Xales, cachecóis, gorros e luvas
E oceanos que se aprofundam em minh’alma
Submersa num Mondego de saudades
Da minha gente, das roupas curtas e das cores
De seus fevereiros
Quando subo as escadas de quatro lances
Em monumentais e mínimas pisadas
Deparo com paredes e estátuas antigas e duras
Tão longe do romanceado das ruas
Que eu desenhava na distância
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Chaga
O que seria de mim sem você?
Sem esta fenda aberta e que grita
Ninguém me poderá entender
Talvez um paquistanês ou alguém
Que não desabone paladares agridoces
Quem poderá estar comigo
Sem estranhar o amor que tenho
Por você, minha ferida
Portal pr’um um universo paralelo
Habitat de seres ininteligíveis
Que se comunicam através de antenas
Como baratas nojentas, que voam
De encontro às ondas invisíveis
Que alimentam os medos
Quem além de mim contempla
A cicatriz com apego?
Quem por aqui vive em paz e até implora
Pela inglória das próprias quedas
Pela ferrugem que emperra
A engrenagem das portinholas
Quem além de mim pode entender
Que o jardim morto do pretérito
Está vivo em outras cores
Quem cultiva uma chaga
Como uma ponte pra alma
Quem não subestima as dores
Quem não se aparta das falhas
????????????????????
Chaga
O que seria de mim sem você?
Sem esta fenda aberta e que grita
Ninguém me poderá entender
Talvez um paquistanês ou alguém
Que não desabone paladares agridoces
Quem poderá estar comigo
Sem estranhar o amor que tenho
Por você, minha ferida
Portal pr’um um universo paralelo
Habitat de seres ininteligíveis
Que se comunicam através de antenas
Como baratas nojentas, que voam
De encontro às ondas invisíveis
Que alimentam os medos
Quem além de mim contempla
A cicatriz com apego?
Quem por aqui vive em paz e até implora
Pela inglória das próprias quedas
Pela ferrugem que emperra
A engrenagem das portinholas
Quem além de mim pode entender
Que o jardim morto do pretérito
Está vivo em outras cores
Quem cultiva uma chaga
Como uma ponte pra alma
Quem não subestima as dores
Quem não se aparta das falhas
????????????????????
Assinar:
Postagens (Atom)