domingo, 19 de julho de 2009

A boca



Meu forte é a boca,
É o beijo,
É a língua,
Quente e cheia,
Derretida,
Percorrendo.
Meu forte é a boca,
É o beijo,
É o paladar,
É a vontade de morder
E sugar e espremer
E deslizar pelas omoplatas,
Deliciada.
Meu forte é o beijo,
É o desejo, e as mãos
Percorrendo os cabelos.
Meu forte é a boca,
O molhado da língua,
O calor das papilas.
Meu desejo é o beijo,
É o carinho mais denso,
Mais suave e tenro,
Mais entregue,
Alimento.
Bom é beijar
E comer e dizer
E sentir água,
Da boca escorrer,
Só de pensar
Só em querer.

sábado, 18 de julho de 2009

Lamento



É uma pena que o amor não baste. Estou tão sozinha. E você me faz tanta falta. Apesar da paz, do alívio que a ausência dos seus terrores me traz, estou triste. Porque não tenho mais você. E a esperança foi em vão. O empenho foi em vão. E a recompensa não veio. Nem a troca à minha dedicação.

Sofro porque sou grande.

Ele está melhor que eu.
Sempre esteve. Não seria agora que não estaria.
Mas eu estou mal porque sou maior.
Porque sinto sinceramente.
Porque me dedico.
Porque sou intensa e enfrento a seco, na raça.
Sinto dor porque sou grande.
Se fosse pequena, nada sentiria.
O amor passaria como poeira, sem cicatriz.
Tive minha chance de sair ilesa. E desperdicei.
Mas, esse prêmio da Vida, não perdi.
Guardo na lembrança.
E espero ansiosa merecer outro.
Talvez, um dia.

Os psicólogos, mais uma vez.

A solidão da noite. Sinto falta. Do tempo que a noite tem pra me oferecer. Do consolo que o silêncio e o isolamento da noite, me ofertam.
Os psicólogos realmente nos querem sós. Nos querem bem sós. O amor romântico para eles não existe.
Para mim também não. Mas não sei viver outro. Minha experiência foi tão ínfima com este amor-prazer. Com o amor-calma. Com o amor-facilidade.
O medo da felicidade...: este foi o vilão.
Ficarei bem só?
Se rastrear companhias e afinar amizades, novas ou antigas, terei uma chance.
Mas meu espírito romântico sempre terá a esperança, a esperança do amor-aconchego, do amor-pra-sempre.
Mesmo que apenas uma esperança.
Apesar de todas as dores.
De todo o racionalismo, de toda a tentativa de persuadir o espírito desta ilusão tosca.
Sempre haverá uma esperança
E, por causa dela, talvez eu nunca encontre o companheiro que mereço encontrar.
A culpa é desta esperança, que não morre.
Desta fantasia. Desses poetas e cantores, e de meu próprio ser.
Tão irremediavelmente carente. Tão inconformado em ser livre e abandonado a si próprio.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Conversas pra dentro

Há conversas pra dentro, conversas mocas, de quem não escuta e fala sem necessidade de retornar qualquer idéia. Sem a necessidade da dualidade. Têm conversas, têm pessoas, que conversam para si mesmas. Só seus próprios interesses, seu próprio mundo "all the time", sem se importar com o outro, com a mensagem do outro. Conversas surdas. Tem gente que não importa em refletir. Só quer perpetuar suas pequenas verdades, às vezes inoportunas. Quantas vezes essas pessoas não param para intercalar os dialetos de mundos diversos, - que são um ser para outro ser - , e perdem a graça de uma verdadeira conversa? Quantas pessoas há no mundo que não sabem interagir? Pôr no contexto o seu assunto, quando esse contexto realmente vier? Como falar em paz, em evolução, em igualdade, quando nas mínimas coisas ainda não existe a entrega? Quando nas estreitas relações ainda há a dificuldade do diálogo? Quando estamos presos em nossas próprias existências, sem olhos para o que há ao redor, no outro? Há conversas que são surdas, cujos sons ecoam para dentro dos corpos de tal maneira que inflamam a pessoa de si mesma. Cada vez mais. E este inflamar não dá espaço ao outro, ao que há fora. E é daí que vem a distância. O isolamento. O desentendimento. A intolerância. A guerra.
Tudo começa em conversas surdas. De seres tão cheios de si mesmos, incapazes de permitir a transformação pela verdade alheia. Aquela que, junto com a sua própria, mais se aproxima da verdade verdadeira.
...
Às vezes a existência também é surda. E nada externo a penetra.