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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Diário




Por que não posso ser como Simone? Sim, posso. Quero registrar meus passos, minha história, perscrutar meus pensamentos, meus devaneios, meu trajeto que vem e vai.
Por que não posso vislumbrar meu desassossego? Meu pestanejar? Os arremedos de minha história, de minha tentativa, de minha caminhada quase sempre solitária?
Quero escrever meus passos, pra depois lembrar. Estudar meus pensamentos, meus pesadelos, desvendar meus repetidos erros e esparsos acertos.
Como Beauvoir, mas nem tanto. Quero usar de enigmas, de encantos, não ser tão clara, tão rasa. Nem ao mesmo tempo, tão detalhista, tão minuciosa.
Prefiro o mistério, os símbolos, as charadas, a conquista à moda antiga, a prosa de Vargas Llosa, as línguas desconhecidas, as linhas em versos, a poesia.

domingo, 19 de julho de 2009

A boca



Meu forte é a boca,
É o beijo,
É a língua,
Quente e cheia,
Derretida,
Percorrendo.
Meu forte é a boca,
É o beijo,
É o paladar,
É a vontade de morder
E sugar e espremer
E deslizar pelas omoplatas,
Deliciada.
Meu forte é o beijo,
É o desejo, e as mãos
Percorrendo os cabelos.
Meu forte é a boca,
O molhado da língua,
O calor das papilas.
Meu desejo é o beijo,
É o carinho mais denso,
Mais suave e tenro,
Mais entregue,
Alimento.
Bom é beijar
E comer e dizer
E sentir água,
Da boca escorrer,
Só de pensar
Só em querer.