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segunda-feira, 26 de abril de 2010

A criança, o pai, o adulto

Tão difícil entender o que se passa...
Como se estraga quase tudo
Numa fala ou num gesto?
O que há de errado?
Como manter o equilíbrio
Quando a questão é inconsciente
E se perde o domínio de si?
Já que, do outro, é ilusório, passageiro,
Transitório, um piscar de olhos?
Como voltar no tempo
E desconstituir um mal feito?
Restabelecer a harmonia,
O momento perfeito?
Como manter o carinho,
O amor, o entendimento?
Que manifestações surgem com o obscuro?
Por que existem dois em um?
Mais de uma personalidade?
A criança, o pai, o adulto?
Em apenas um ser, tantas idades?
O que há comigo? Conosco?
Será um enrosco, o obscuro...
A obsessão, o absurdo?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Oferta e ganho




Carinho...
É esparramar os membros
E os cabelos em desalinho
Pra o contato oval
Da ponta dos dedos do outro
Deslizando de mansinho...
É entregar-se, como em sono,
À espera...
À medida que as peles se sobrepõem,
Os odores misturam-se,
E, à carícia, soma-se o calor
Das mãos turvas de ternura
Ou volúpia.
Mas também é carinho
O deslize dos dedos quentes
Percorrendo os caminhos
Da pele do outro,
Em busca dos matizes
E dos calores que emanam
Daquela outra superfície.
A diferença do carinho dado
Pra o carinho recebido
É que um, ganha-se inerte,
Enquanto se oferece a pele.
E o outro, no próprio movimento,
Que faz do carinho dado,
Um carinho que se recebe,
Mas que carece da ação,
Do movimento concatenado,
Pra sentir em si mesmo
O prazer ofertado.
Ambos são desfrutados
Simultaneamente.
Mas um se deixa aproveitar parado,
Enquanto o outro aproveita buscando
Através de deslizes, rodopios e cheiros.
Odores, suspiros e arrepios.