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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Placas tectônicas


Minha vida é um álbum incompleto. Ainda há muitas páginas em branco e figurinhas novas que eu nem imaginava. Tirei o cabresto e que surpresa: um mundo imenso ao meu redor. O que a gente esconde e o que a gente mostra... um furo na meia é melhor que seja descoberto logo. A gente nunca conhece as pessoas de verdade sem antes entrar em suas casas, abrir, pelo menos uma vez, seus guarda-roupas, inspirar o ar que ocupa o ambiente, afagar seu cachorro. Tudo revela o ser que nelas mora.
Pessoas covardes não me agradam. Nem as que não se decidem. Não me aprazem rostos amassados. Gosto de cabelos perfumados e roupas cuidadas, mesmo que antigas. Cada fase da vida tem uma alegria e uma cantoria. Hoje em dia: Fagner e Baleiro. Poesia pode ser sinestesicamente composta e não precisa ser uma coisa única. Pode ter camadas ou retalhos, como uma colcha, como placas tectônicas.

domingo, 11 de julho de 2010

Anéis imperfeitos



Passo os dedos
Rente ao couro cabeludo
Sinto curvas, nuances
Anéis de cabelos que rodeiam
Retomam o formato original
A sinuosidade única
Dos pensamentos
Similares à rebeldia
Dos cachos avessos
À disciplina e comportamento
Não me reconheço
Com esta moldura lisa
Obediente e concisa
Adequada à moda dos dias
Indiferente à minha idiossincrasia
À mania de ser o que sou
À revelia de aceitação
Admiração
Ou sintonia
Quero de volta a cara e o cabelo
Que nasceram comigo
Cor, formato e enredo
Difícil todo dia
Mesmo que não desembarace
Mesmo que jamais se ajeite
Mesmo que me torne mais cheia
Mais infantil e mal feita
Quero encaixar os dedos
Naqueles anéis imperfeitos
Que formam os bravos e finos
Cachos de meus cabelos.