tão lindo é ver
sorver
com pálpebras molhadas
o néctar do mundo
miúdo, no entanto
o tempo gasto
o encanto
parece que é necessário mais
mais tempo na estrada
mais palavras
parece que é necessário o outro
que ficou do outro lado do oceano
parece não ser necessário nada
menos euros e flys
menos malas
apesar do belo
emerge da perfeição sinistra
o ferro
algo de indigesto
no império
da nação sobre a criatura
do patrimônio (uma grandeza sem tamanho)
sobre o ser humano
são muitos caminhos
muitos sentidos
e uma língua única
dita de maneiras várias
é lindo, mas um tanto triste
que uns vivam sobre ouro
enquanto outros sequer comam
é bom andar pelas ruas
a qualquer hora sem medo
mas será possível
se de onde eu venho
não é possível?
vem cidade luz
cheia de estrelas, monumentos
vem
me deixa imergir neste sonho
algum tempo
me deixa respirar este ar
sofrer outras dores
só algum tempo
(do outro lado da rua
um indiano
demonstra seu produto
atirando para o alto
luz portátil azul).
L.G.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
amanhã
Hoje
Tantas dificuldades
Lágrimas
Pranto
Hoje
O desencanto
A desesperança
A desilusão
Hoje
O desespero
O desDeus
O apelo soando sozinho na escuridão
Amanhã
O amanhã.
L.G.
Tantas dificuldades
Lágrimas
Pranto
Hoje
O desencanto
A desesperança
A desilusão
Hoje
O desespero
O desDeus
O apelo soando sozinho na escuridão
Amanhã
O amanhã.
L.G.
ausência
talvez eu volte a escrever em papel
talvez eu volte a ser quem eu era
quem sabe, meu bem, eu consiga
ignorar o trajeto, as músicas deste novo tempo
e tornar-me outra
ou a mesma. Quem sabe?
tantas vezes ele quis ir
tantas vezes o medo ficar
e a preguiça de enfrentar
de viver
quantas vezes sem fim
veio e deitou-se na soleira da porta
vestida do pesadelo
de sentir-se só???
quem me vê falar acredita que eu tenho medo
que eu temo ser só
não conhece a verdade desta alma eremita e livre
independente e só
só
apesar disto, tenho, sim, medo
mas ele faz parte de ser inteira
indivisível
meu Deus olhe pra mim
ponha seus olhos sobre este velho caderno
e rédeas neste temperamento diabólico que Te enfrenta
e questiona a Tua vontade
a Tua existência
e ainda teme o que é tão menor
a ausência
só a ausência.
L.G.
talvez eu volte a ser quem eu era
quem sabe, meu bem, eu consiga
ignorar o trajeto, as músicas deste novo tempo
e tornar-me outra
ou a mesma. Quem sabe?
tantas vezes ele quis ir
tantas vezes o medo ficar
e a preguiça de enfrentar
de viver
quantas vezes sem fim
veio e deitou-se na soleira da porta
vestida do pesadelo
de sentir-se só???
quem me vê falar acredita que eu tenho medo
que eu temo ser só
não conhece a verdade desta alma eremita e livre
independente e só
só
apesar disto, tenho, sim, medo
mas ele faz parte de ser inteira
indivisível
meu Deus olhe pra mim
ponha seus olhos sobre este velho caderno
e rédeas neste temperamento diabólico que Te enfrenta
e questiona a Tua vontade
a Tua existência
e ainda teme o que é tão menor
a ausência
só a ausência.
L.G.
Praga do Tim
Ando de gol 2005
Preto
No meu rádio toca 89.1
Rock
Moro na mesma vila desde que nasci
Quase nem parece a mesma
Prefiro bijuteria à jóia
As maiores
Não ligo pra marca de roupa
Nem conheço modelo de carro
Tenho dificuldade com nome de rua
E minha memória não é das melhores
Minha ambição é pouca
E de tanto cantar
Quero amor sincero, eu só quero amar
O Universo me deixou o amor
Como único patrimônio.
L. G.
Preto
No meu rádio toca 89.1
Rock
Moro na mesma vila desde que nasci
Quase nem parece a mesma
Prefiro bijuteria à jóia
As maiores
Não ligo pra marca de roupa
Nem conheço modelo de carro
Tenho dificuldade com nome de rua
E minha memória não é das melhores
Minha ambição é pouca
E de tanto cantar
Quero amor sincero, eu só quero amar
O Universo me deixou o amor
Como único patrimônio.
L. G.
Em Paris
Um homem defecando no meio da rua
Sem calças, nu abaixo da cintura
Não se agacha, facilita estar a meio corpo
Sequer olha para o lado, seu lugar é a rua
Não há banheiro pra turistas, que dirá para esses tipos
Enoja os passantes, os leitores
Primeiro aquele espanto, depois o horror de encarar
As fezes de outro a desbundar
O deslumbre de Paris
Com seus prédios médios de janelas grandes da Belle Epóque
Retrato da opulência e arrogância
Disfarçadas na elegância
De Paris
...
Sim, ela é linda
Ela brilha como ouro aos olhos do sonhador
Sim, vê-se a Torre a milhas
Há pontes, há o Sena, a Monalisa
Mas alguém tinha que fazer esse serviço
Cagar na cara do turista, do parisiense, desta Europa rica
E devolver um pouco da bosta toda que ela espalha pelos continentes
Há séculos e séculos atrás
E continua
...
Tem gente sobrevivendo do comércio de bugigangas em Paris
Gente morando nos buracos esquálidos dos metrôs de Paris
Urina pelas escadas, quantas escadas, do metrô repudioso de Paris
...
Ainda que se acendam mil luzes
E que se veja a Torre a mil milhas
Nada apaga esse ar rude
Que não considera necessidades primárias
Que iguala o homem mais glamuroso e perfumado
Ao mais pobre e coitado
...
Aquele homem e sua bunda suja
E o excremento que a todos enoja
Mas que sai de dentro do corpo humano
De todos, humano
...
Aquele homem e sua coragem
E sua loucura e sua vontade
Manchando a honra da Cidade Luz
O perfume francês da Champs-Elyssés
Não me sai da memória.
L.G
Sem calças, nu abaixo da cintura
Não se agacha, facilita estar a meio corpo
Sequer olha para o lado, seu lugar é a rua
Não há banheiro pra turistas, que dirá para esses tipos
Enoja os passantes, os leitores
Primeiro aquele espanto, depois o horror de encarar
As fezes de outro a desbundar
O deslumbre de Paris
Com seus prédios médios de janelas grandes da Belle Epóque
Retrato da opulência e arrogância
Disfarçadas na elegância
De Paris
...
Sim, ela é linda
Ela brilha como ouro aos olhos do sonhador
Sim, vê-se a Torre a milhas
Há pontes, há o Sena, a Monalisa
Mas alguém tinha que fazer esse serviço
Cagar na cara do turista, do parisiense, desta Europa rica
E devolver um pouco da bosta toda que ela espalha pelos continentes
Há séculos e séculos atrás
E continua
...
Tem gente sobrevivendo do comércio de bugigangas em Paris
Gente morando nos buracos esquálidos dos metrôs de Paris
Urina pelas escadas, quantas escadas, do metrô repudioso de Paris
...
Ainda que se acendam mil luzes
E que se veja a Torre a mil milhas
Nada apaga esse ar rude
Que não considera necessidades primárias
Que iguala o homem mais glamuroso e perfumado
Ao mais pobre e coitado
...
Aquele homem e sua bunda suja
E o excremento que a todos enoja
Mas que sai de dentro do corpo humano
De todos, humano
...
Aquele homem e sua coragem
E sua loucura e sua vontade
Manchando a honra da Cidade Luz
O perfume francês da Champs-Elyssés
Não me sai da memória.
L.G
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