segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Amor livre

Sou adepta do amor livre. Amor livre de sacanagem. Amor livre de mentira. Amor livre de manipulação. Amor livre de traição virtual. Amor livre de abuso psicológico. Amor livre de cultura machista, em que homem pode o que mulher não pode. Amor livre de hipocrisia com relação ao amor livre. Amor livre da utopia de que o amor nasce pronto. Amor livre da falta de entrega. Amor livre da falta de cuidado com o outro. Amor livre da falta de cultivar o desejo (próprio e do parceiro). Amor livre de "amigos(as)" com segundos interesses. Amor livre de preguiça de amar. Amor livre de conceitos vazios. Amor livre da falta de empenho. Amor livre da carência de alegria. Amor livre de sentir ciúme (e de plantar ciúme). Amor livre do excesso de regras. Amor livre de tanta etiqueta. Amor livre da confusão entre a vida e o Facebook. Amor livre do que parece, mas não é amor. Amor livre pra amar uma pessoa apenas. Amor livre pra ser brega o quanto queira. Amor livre pra ser completo, ainda que contrário à a moda.




lAri G.

Gosto mais da doçura. Eu sei que a austeridade, a disciplina e a ordem são necessárias para o progresso, fazem parte do trabalho, da batalha.
Também que na maior parte das vezes não é recomendada a abertura por onde emana e retorna o sentimento - coisas d'alma que batem com a própria essência do ser tem lugar e hora. (É indicado o uso de máscaras, antes de tudo, educação).
Mas ainda prefiro a doçura.

lAri G.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Etiqueta

(A Manoel de Barros)

Aprendi
A dizer nada
Ficar calada
Concentrada

Muito tempo
Estive às falas
Às favas
Do mundo

(que ria das minhas misérias)

Coisa de poeta
De gente sem noção
Que pensa/que vive
No interno (no inferno)

Encontrei já velha
A máscara
Que todos querem
(uns usam, uns não

- TODOS PREFEREM)

Quem quer a verdade
Quem suporta a verdade
A intempérie
A tempestade?

Vou fazer novos poemas
Sobre o esforço de não ser
O sigilo, a escusa
O secreto, a concha

Poemas sobre o essencial
A polidez admirável
A adequação bem vista
A distância recomendada

Ninguém pode com a verdade
Verdade sem modos
Sem rédeas, sem travas
Educação, religião

VERDADE É COISA PRA CRIANÇA E BEM-TE-VI.

(bem dizia Manoel)
Sou estreante na arte de ser feliz.
Soa absurdo ser necessário prática pra felicidade...!, mas não.
Se não se tem prática, assusta -se com facilidade e jogar tudo para o alto é especialidade dos infelizes.
Só praticantes da felicidade sabem persistir na dificuldade e, principalmente, não se desesperam ao perceberem-se, enfim, felizes.
Não ter nada a perder pode ser reconfortante pra maioria das pessoas. Pra ser feliz, ao contrário, é preciso muita coragem! E isso só se descobre vivendo (e reconhecendo) a felicidade.
Sou estreante nessa arte. Gosto muito, mas confesso que não estou adaptada e estranho quase sempre o fato de ser felizarda (ter tanto a perder é tão novo! ).
Deus abençoe os estreantes. Os anjos acompanhem os que tem coragem e ajudem-nos a não desistir dela apenas por não saber como lidar, por não poder desistir dos velhos habitos da mediocridade ...

DESENGASGUE-SE

perdoar
o imperdoável
:a gente tenta
, mas na garganta
qual bala Soft
da infância
o perdão engasga

talvez seja inútil o perdão
às coisas imperdoáveis...

admita!
somente o tempo
-muito tempo-
derrete e consome a bala
(que de Soft não tem nada)

deixe agir o tempo
e não desperdice perdões
a coisas imperdoáveis.

lAri G.