terça-feira, 10 de dezembro de 2013

o suicídio

a gota caminha pela rachadura do teto
percorre toda a linha
e, então, pinga no piso
como quem salta
de um precipício

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Às vezes

Às vezes, as lembranças diluem-se no tempo.
Outras, robustecem.
Às vezes, o infortúnio a memória apaga.
Às vezes, guarda.
Às vezes, os dias rastejam.
Às vezes, voam.
Às vezes, a gente chora, chora.
Às vezes, gargalha
: alternância de estados.

O exótico tempera uns dias.
Outros, a rotina.
É difícil driblar a fadiga
ora intensa, ora suave sobre a vida.
- Essa vida -
que às vezes a gente leva,
às vezes a gente arrasta.
Em que às vezes a ilusão basta,
outras, a verdade mostra.
Às vezes, cai um pranto sem pausa.
Outras, secam as lágrimas.
Louvai!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Deixar o corpo

Dormir dormir e sair por aí, sem ossos nem pele, divertida, leve, astronauta sem roupa lunar. Deixar o corpo, esse cascalho rochoso que se parte com a investida do mar. Voar, sentir, desvendar as cores multicores, os silêncios de Itamar, as pérolas que se escondem nas entrelinhas. Sair por aí, onipresente, sábia, completa e em paz, sem sufoco, falta de ar ou calçados. Sem soluços, migalhas, pouco caso. Viajar sem sair do lugar e dormir cheia de sonhos num outro tempo - muito melhor e sereno.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O nome da pessoa amada

O nome da pessoa amada 
é uma serenata
trilha sonora que toca
na cena-clímax

o nome da pessoa amada
é uma sobremesa
tem o gosto mais doce
o aroma mais fino

e saliva.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Quando você se for

Quando você
Se for, meu bem
Não vá sem me levar
Pode ser num azul de céu
Pode ser num verde de mar
Pode ser num gosto, num cheiro, num lugar
Quando esta ponte cair
E o amor nos abandonar
Me leve ainda contigo, num cantar

Passarinho vem derramar
Pelos mundos, novo luar
Leva música de jasmim
E vinho no paladar

Leva beijos cor de carmim
E meus passos no seu voar.